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Nossos inimigos nos ensinam a amar

Nossos inimigos no ensinam a amar

Pode parecer estranho dizer que os nossos inimigos tem algo para nos ensinar, mas se pensarmos bem, são eles que nos dão oportunidade de crescer no amor, afinal, é fácil dizer que amamos quando todas as pessoas ao nosso redor não nos trazem aborrecimentos. Se amarmos apenas os que nos amam, que diferença isso faz? (Mt 5.46). O Senhor que nos levar além das palavras. Ele permite que pessoas nos firam para que cresçamos em graça e amor. No que se refere a ser ferido e maltratado quem pode nos dar melhor exemplo do que Ele?

Que você e eu sejamos aprovados neste assunto,  e que o amor incondicional se desenvolva em nós.

Abraços!

Lorimar

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Não se ofenda!

Nas últimas semanas tenho meditado sobre a questão de não se deixar ofender. Não se trata de indiferença com relação à ofensa, afinal somos de fato feridos. O que Deus espera de nós é que tenhamos a mesma atitude de Cristo no que se refere à esse assunto, e quem mais do que ele entende desta matéria? Ele foi ofendido de uma maneira que nós jamais seremos, entretanto ele decidiu perdoar sempre sem guardar rancores.

O texto abaixo foi extraído da Revista Impacto (http://www.revistaimpacto.com.br), uma revista com um nome bem apropriado, pois seus artigos impactam e fazem a gente pensar. Você pode ler ali outros artigos na íntegra, ou assinar a revista se preferir. Não é nenhuma propaganda para a revista, mas sou assinante e tenho sido muito edificado com seus artigos. Que Deus fale ao seu coração nessa leitura.

Lorimar

Jesus tratou a questão de ofensas de forma muito severa. Veja o texto a seguir:

“Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos [“ofensas” ou “motivos de tropeço”] mas ai do homem pelo qual eles vêm! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos” (Lc 17.1,2).

Essas palavras nos causam temor e tremor, pois quem dentre nós nunca ofendeu alguém? Entretanto, o tipo de ofensa a que Jesus se referiu aqui não é algo tão comum. Ele estava falando a respeito de uma ação premeditada para levar alguém a tropeçar ou cair de seu propósito ou vocação específica – ou até da própria salvação.

A palavra grega traduzida por escândalo nesse versículo é skandalon. Significa uma armadilha ou cilada preparada para fazer alguém cair. É um escândalo, vergonha, desonra ou maldade criminosa. É um pecado cometido deliberadamente. Apesar de ser um ato muito sério, com consequências terríveis, não é um pecado imperdoável; arrependimento e restituição podem remover a vergonha e a culpa do coração.

O tipo de ofensa que é tema deste artigo, por outro lado, é resultado de um erro involuntário ou até de uma transgressão deliberada, mas sem intenção de fazer alguém tropeçar. Seria um deslize ou uma falha, quando alguém ultrapassa determinado limite, entra em território proibido, sai do caminho, quebra as regras ou se comporta mal.

Tiago escreve a respeito disso: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar é perfeito varão, capaz de refrear também todo o seu corpo” (Tg 3.2).

Ainda que não pareça uma atitude condenável, pode ser tão destrutiva quanto o ato intencional. Jesus deu-nos o remédio: “Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mt 18.15).

E se seu irmão não o ouvir? Mesmo assim, você pode ficar livre de ofensas e amargura se optar por perdoar e esquecer. Não importa o que aconteceu, não importa o quanto seu orgulho foi ferido, você precisa ficar livre. Ter algo contra alguém significa que acatou uma ofensa. E acatar uma ofensa levanta uma muralha de divisão entre você e um irmão. Isso contraria a obra de Jesus, que veio quebrar as paredes de separação.

“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derrubado a parede da separação que estava no meio, a inimizade…” (Ef 2.14).

Guardar ofensas afeta nossa intimidade com Deus, impede o brilho de seu rosto sobre nós, separa-nos de sua plenitude. Torna-nos opacos e sem vida. Interrompe o fluir da bênção e da unção.

Não se ofenda

“E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Lc 7.23).

Há grande bênção em não se sentir ofendido por causa do irmão. Muito cuidado para não tomar as dores de outra pessoa. Quando alguém muito próximo a nós é ofendido, tendemos a sentir empatia, fortalecendo sua sensação de vítima ao invés de ajudá-lo a livrar-se desse sentimento. Como resultado, não só nos colocamos juntos sob a mesma servidão, mas também criamos um jugo mais forte por estabelecer uma parceria com a parte ofendida.

Cristãos vitoriosos não aceitam sentir-se ofendidos. Reconhecem que, no instante em que forem afetados por uma ofensa, serão seriamente abalados. Podem vir até a se afastar das reuniões, isolando-se da comunhão e da unção coletiva. Cristãos vitoriosos adoram ter comunhão uns com os outros porque prezam a bênção que Deus libera sempre que há unidade. Assim como existe poder na unidade, no lado oposto os cristãos não têm autoridade sobre o inimigo quando estão divididos por ofensas. Temos liberdade de escolha. Podemos escolher entre ficar ofendidos e passar por cima da ofensa. Depende de nós.

Todas as nossas ofensas já foram acertadas

Jesus morreu para libertar-nos das ofensas. “O qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4.25).

Se Jesus deu a vida para nos redimir e perdoar os nossos pecados, como podemos continuar guardando ofensas, recusando-nos a perdoar aos outros? Isso nega o poder da Cruz em nossa vida.

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). Perdão e liberdade vêm no mesmo pacote. A unidade libera a unção. A unção libera a bênção.

“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali ordena o Senhor a sua bênção, e a vida para sempre” (Sl 133.1-3).

Ungido para o seu propósito

Quando há unidade, Deus ordena a bênção. Não se pode impedi-la; foi ordenada, tem de acontecer. É a unção que prepara o caminho para a bênção, para o milagre.

O óleo (da unção) era derramado sobre a cabeça do sacerdote. Simbolizava a unção individual. Em seguida, o óleo escorria e cobria todo o corpo. Era a unção coletiva, a unção do Corpo. Nós, como sacerdotes do Senhor, devemos contribuir para que haja unção sobre todo o Corpo. Se cada indivíduo receber a unção do Espírito Santo e liberá-la para o Corpo, que unção tremenda haverá!

Não existe unção maior do que a unção coletiva, mas também não existe unção coletiva sem unção individual. União entre o sacerdote e Deus sempre produz efeitos importantes no Corpo de Cristo; traz maior unção, maior bênção, maiores obras! A unção no Corpo libera sinais e maravilhas, fazendo com que cada promessa de Deus se cumpra em medida maior do que a unção individual. Onde há união, o Senhor ordena a bênção. É impossível não recebê-la. Foi decretada, foi escrita, é liberada sempre que há união.

Por outro lado, a ofensa destrói a união. A ofensa levanta uma parede de separação quebrando a união e afetando a bênção de Deus. Afeta a bênção individual e a bênção no Corpo.

O grande sumo sacerdote, Jesus, é nosso Cabeça. A unção que vem dele “goteja” poder para avivar e curar sobre todo o Corpo que é a plenitude do próprio Cabeça. Precisamos da unção do Corpo, a unção coletiva, para manifestar a plenitude de Cristo. Quando nós, os santos, estivermos em união, será como o óleo da unção derramado sobre a barba de Arão.

Não é fácil manter a unção do Corpo justamente por causa das ofensas. Por isso, não se ofenda. Supere as ofensas recebidas. Não lute contra elas; simplesmente passe por cima delas. É uma decisão que pode ser tomada por um passo de fé.

Morrendo para as ofensas

Vemos um forte exemplo de união e vitória sobre ofensas em Atos 14. O apóstolo Paulo acabara de ver, juntamente com os discípulos de Listra, a conversão de muitas pessoas e a demonstração de grandes sinais e maravilhas. Por isso, foi apedrejado.

“Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora da cidade dando-o por morto. Rodeando-o, porém, os discípulos, levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte partiu com Barnabé para Derbe. E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade, e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, fortalecendo as almas dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.19-22).

Se você andar no sobrenatural, certamente encontrará perseguição. Paulo foi apedrejado e deixado como morto. CONTUDO, quando os discípulos o rodearam, posicionando-se a seu lado, ele se levantou! Ele poderia ter-se ofendido por causa do apedrejamento e permanecido na posição de morte. Não importa o que alguém já lhe disse ou já lhe fez; não importa o que aconteceu em seu passado: passe por cima de tudo! Pare de ficar deitado, lá fora da cidade, isolado da amizade e da família, lambendo as feridas e o ego ofendido. Pare de ficar prostrado, longe de sua área de visão e propósito. Esqueça a ofensa. Sacuda as roupas, tire o pó e comece a caminhar naquilo que Deus o chamou para fazer. Pare de ficar atolado com pena de si mesmo. Procure outra pessoa que esteja precisando de ajuda para levantar-se também.

Observe que Paulo e seus companheiros voltaram para Listra para fortalecer os que estavam lá, aquelas mesmas pessoas que o deram como morto. Ele os exortou na fé, dizendo que “através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus”. Muitas pessoas afirmam que estão prontas a cruzar qualquer fronteira na causa de Deus, mas não conseguem passar pela barreira das próprias ofensas. Passe por cima disso, coloque-o no passado e avance para a posição de unção e bênção.

Há uma poderosa geração de pessoas que estão aprendendo a caminhar juntas, trabalhar juntas, entrar em harmonia umas com as outras e agir em sintonia nessa tremenda unção e mover de Deus. São pessoas nas quais você pode confiar. Há um poderoso mover de Deus prestes a chegar que afetará o casamento, as finanças, os filhos, os negócios, as igrejas e os ministérios. Você foi chamado para fazer parte desse mover de Deus nesta geração. Há pessoas que dependem de você. Jesus está esperando, desejando que você assuma seu lugar e dependendo de sua decisão. Ele o escolheu!

por Ellie Hein

Fonte: http://www.revistaimpacto.com.br/?modulo=materia&id=522

Obs.: As imagens não fazem parte do texto original.

Aprendendo a perdoar – Corrie ten Boom

Foi numa igreja em Munique, onde eu estava pregando em 1947, que, de repente, o vislumbrei: um homem calvo, troncudo vestindo um sobretudo cinza, com um chapéu de feltro marrom amassado entre as duas mãos. Num instante, estava enxergando o sobretudo e o chapéu marrom; no instante seguinte, o uniforme azul, o quepe estampado com a caveira e as duas tíbias cruzadas, o rosto malicioso, lascivo, debochado.

Minhas lembranças do campo de concentração voltaram com rapidez e impacto: a sala enorme com as severas luminárias no teto, a pilha patética de vestidos e sapatos no centro, a vergonha de ter de passar nua diante desse homem. Pude ver o vulto frágil da minha irmã à minha frente, costelas quase furando o fino pergaminho da sua pele.

Betsie e eu havíamos sido presas por termos escondido judeus na nossa casa por ocasião da ocupação nazista da Holanda, durante a Segunda Guerra. Esse homem fora um dos guardas no campo de concentração em Ravensbruck, para onde fomos enviadas.

Agora, ele estava diante de mim, mão estendida: “Que bela mensagem, fräulein! Que bom saber, como disse, que nossos pecados estão todos no fundo do mar!”

Pela primeira vez, desde minha soltura, eu estava frente a frente com um dos meus algozes, e meu sangue parecia ter congelado.

“Você mencionou Ravensbruck na sua palestra”, ele dizia. “Fui guarda lá. Mas depois disso”, continuou, “tornei-me cristão. Eu sei que Deus me perdoou pelas coisas cruéis que cometi lá, mas eu gostaria de ouvi-lo da sua boca também. Fräulein”, com a mão estendida outra vez, “você me perdoa?”

Fiquei ali paralisada. Eu não podia fazer isso. Minha irmã Betsie morrera naquele lugar; será que ele podia apagar sua morte terrível e prolongada, simplesmente porque pedia perdão?

Eu achava que já perdoara a todos; pregava sobre isso por toda parte. Eu, o exemplo de perdão, não conseguia perdoar quando encarava meu ofensor em carne e osso.

Não podem ter passado mais do que alguns segundos, ele em pé com a mão estendida – mas para mim parecia uma batalha de horas, enquanto eu enfrentava a coisa mais difícil que tive de fazer em toda minha vida.

Eu não tinha opção – eu sabia disso. A mensagem do perdão de Deus possui um pré-requisito: que perdoemos a todos que nos feriram. “Se não perdoardes aos homens”, afirmou Jesus, “tão pouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6.15).

Ainda assim, lá estava eu com o coração dominado por frieza. Entretanto, perdoar é um ato da vontade, e a vontade pode funcionar indiferentemente da temperatura do coração. “Jesus, ajuda-me”, supliquei silenciosamente. “Eu posso levantar minha mão. Pelo menos isso, posso fazer. Dá-me o sentimento depois.”

Então, sentindo-me um robô, coloquei minha mão mecanicamente na mão que me estava estendida. E, enquanto o fiz, algo incrível aconteceu. Uma corrente começou no meu ombro, correu pelo meu braço e saltou para nossas mãos unidas. Em seguida, esse calor restaurador parecia inundar todo o meu ser, trazendo lágrimas aos meus olhos.

“Eu te perdôo, irmão”, exclamei, “com todo o meu coração!”

Por um longo instante, seguramos a mão um do outro, o ex-guarda e a ex-prisioneira. Posso dizer que nunca experimentei o amor de Deus de forma tão intensa como naquele momento.

Testemunho publicado originalmente na revista “Guideposts”, 1972. A história de Corrie ten Boom foi relatada no famoso livro (e filme) “Refúgio Secreto”, de John e Elizabeth Sherrill, Editora Betânia.