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Não se ofenda!

Nas últimas semanas tenho meditado sobre a questão de não se deixar ofender. Não se trata de indiferença com relação à ofensa, afinal somos de fato feridos. O que Deus espera de nós é que tenhamos a mesma atitude de Cristo no que se refere à esse assunto, e quem mais do que ele entende desta matéria? Ele foi ofendido de uma maneira que nós jamais seremos, entretanto ele decidiu perdoar sempre sem guardar rancores.

O texto abaixo foi extraído da Revista Impacto (http://www.revistaimpacto.com.br), uma revista com um nome bem apropriado, pois seus artigos impactam e fazem a gente pensar. Você pode ler ali outros artigos na íntegra, ou assinar a revista se preferir. Não é nenhuma propaganda para a revista, mas sou assinante e tenho sido muito edificado com seus artigos. Que Deus fale ao seu coração nessa leitura.

Lorimar

Jesus tratou a questão de ofensas de forma muito severa. Veja o texto a seguir:

“Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos [“ofensas” ou “motivos de tropeço”] mas ai do homem pelo qual eles vêm! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos” (Lc 17.1,2).

Essas palavras nos causam temor e tremor, pois quem dentre nós nunca ofendeu alguém? Entretanto, o tipo de ofensa a que Jesus se referiu aqui não é algo tão comum. Ele estava falando a respeito de uma ação premeditada para levar alguém a tropeçar ou cair de seu propósito ou vocação específica – ou até da própria salvação.

A palavra grega traduzida por escândalo nesse versículo é skandalon. Significa uma armadilha ou cilada preparada para fazer alguém cair. É um escândalo, vergonha, desonra ou maldade criminosa. É um pecado cometido deliberadamente. Apesar de ser um ato muito sério, com consequências terríveis, não é um pecado imperdoável; arrependimento e restituição podem remover a vergonha e a culpa do coração.

O tipo de ofensa que é tema deste artigo, por outro lado, é resultado de um erro involuntário ou até de uma transgressão deliberada, mas sem intenção de fazer alguém tropeçar. Seria um deslize ou uma falha, quando alguém ultrapassa determinado limite, entra em território proibido, sai do caminho, quebra as regras ou se comporta mal.

Tiago escreve a respeito disso: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar é perfeito varão, capaz de refrear também todo o seu corpo” (Tg 3.2).

Ainda que não pareça uma atitude condenável, pode ser tão destrutiva quanto o ato intencional. Jesus deu-nos o remédio: “Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mt 18.15).

E se seu irmão não o ouvir? Mesmo assim, você pode ficar livre de ofensas e amargura se optar por perdoar e esquecer. Não importa o que aconteceu, não importa o quanto seu orgulho foi ferido, você precisa ficar livre. Ter algo contra alguém significa que acatou uma ofensa. E acatar uma ofensa levanta uma muralha de divisão entre você e um irmão. Isso contraria a obra de Jesus, que veio quebrar as paredes de separação.

“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derrubado a parede da separação que estava no meio, a inimizade…” (Ef 2.14).

Guardar ofensas afeta nossa intimidade com Deus, impede o brilho de seu rosto sobre nós, separa-nos de sua plenitude. Torna-nos opacos e sem vida. Interrompe o fluir da bênção e da unção.

Não se ofenda

“E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Lc 7.23).

Há grande bênção em não se sentir ofendido por causa do irmão. Muito cuidado para não tomar as dores de outra pessoa. Quando alguém muito próximo a nós é ofendido, tendemos a sentir empatia, fortalecendo sua sensação de vítima ao invés de ajudá-lo a livrar-se desse sentimento. Como resultado, não só nos colocamos juntos sob a mesma servidão, mas também criamos um jugo mais forte por estabelecer uma parceria com a parte ofendida.

Cristãos vitoriosos não aceitam sentir-se ofendidos. Reconhecem que, no instante em que forem afetados por uma ofensa, serão seriamente abalados. Podem vir até a se afastar das reuniões, isolando-se da comunhão e da unção coletiva. Cristãos vitoriosos adoram ter comunhão uns com os outros porque prezam a bênção que Deus libera sempre que há unidade. Assim como existe poder na unidade, no lado oposto os cristãos não têm autoridade sobre o inimigo quando estão divididos por ofensas. Temos liberdade de escolha. Podemos escolher entre ficar ofendidos e passar por cima da ofensa. Depende de nós.

Todas as nossas ofensas já foram acertadas

Jesus morreu para libertar-nos das ofensas. “O qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4.25).

Se Jesus deu a vida para nos redimir e perdoar os nossos pecados, como podemos continuar guardando ofensas, recusando-nos a perdoar aos outros? Isso nega o poder da Cruz em nossa vida.

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). Perdão e liberdade vêm no mesmo pacote. A unidade libera a unção. A unção libera a bênção.

“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali ordena o Senhor a sua bênção, e a vida para sempre” (Sl 133.1-3).

Ungido para o seu propósito

Quando há unidade, Deus ordena a bênção. Não se pode impedi-la; foi ordenada, tem de acontecer. É a unção que prepara o caminho para a bênção, para o milagre.

O óleo (da unção) era derramado sobre a cabeça do sacerdote. Simbolizava a unção individual. Em seguida, o óleo escorria e cobria todo o corpo. Era a unção coletiva, a unção do Corpo. Nós, como sacerdotes do Senhor, devemos contribuir para que haja unção sobre todo o Corpo. Se cada indivíduo receber a unção do Espírito Santo e liberá-la para o Corpo, que unção tremenda haverá!

Não existe unção maior do que a unção coletiva, mas também não existe unção coletiva sem unção individual. União entre o sacerdote e Deus sempre produz efeitos importantes no Corpo de Cristo; traz maior unção, maior bênção, maiores obras! A unção no Corpo libera sinais e maravilhas, fazendo com que cada promessa de Deus se cumpra em medida maior do que a unção individual. Onde há união, o Senhor ordena a bênção. É impossível não recebê-la. Foi decretada, foi escrita, é liberada sempre que há união.

Por outro lado, a ofensa destrói a união. A ofensa levanta uma parede de separação quebrando a união e afetando a bênção de Deus. Afeta a bênção individual e a bênção no Corpo.

O grande sumo sacerdote, Jesus, é nosso Cabeça. A unção que vem dele “goteja” poder para avivar e curar sobre todo o Corpo que é a plenitude do próprio Cabeça. Precisamos da unção do Corpo, a unção coletiva, para manifestar a plenitude de Cristo. Quando nós, os santos, estivermos em união, será como o óleo da unção derramado sobre a barba de Arão.

Não é fácil manter a unção do Corpo justamente por causa das ofensas. Por isso, não se ofenda. Supere as ofensas recebidas. Não lute contra elas; simplesmente passe por cima delas. É uma decisão que pode ser tomada por um passo de fé.

Morrendo para as ofensas

Vemos um forte exemplo de união e vitória sobre ofensas em Atos 14. O apóstolo Paulo acabara de ver, juntamente com os discípulos de Listra, a conversão de muitas pessoas e a demonstração de grandes sinais e maravilhas. Por isso, foi apedrejado.

“Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora da cidade dando-o por morto. Rodeando-o, porém, os discípulos, levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte partiu com Barnabé para Derbe. E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade, e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, fortalecendo as almas dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.19-22).

Se você andar no sobrenatural, certamente encontrará perseguição. Paulo foi apedrejado e deixado como morto. CONTUDO, quando os discípulos o rodearam, posicionando-se a seu lado, ele se levantou! Ele poderia ter-se ofendido por causa do apedrejamento e permanecido na posição de morte. Não importa o que alguém já lhe disse ou já lhe fez; não importa o que aconteceu em seu passado: passe por cima de tudo! Pare de ficar deitado, lá fora da cidade, isolado da amizade e da família, lambendo as feridas e o ego ofendido. Pare de ficar prostrado, longe de sua área de visão e propósito. Esqueça a ofensa. Sacuda as roupas, tire o pó e comece a caminhar naquilo que Deus o chamou para fazer. Pare de ficar atolado com pena de si mesmo. Procure outra pessoa que esteja precisando de ajuda para levantar-se também.

Observe que Paulo e seus companheiros voltaram para Listra para fortalecer os que estavam lá, aquelas mesmas pessoas que o deram como morto. Ele os exortou na fé, dizendo que “através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus”. Muitas pessoas afirmam que estão prontas a cruzar qualquer fronteira na causa de Deus, mas não conseguem passar pela barreira das próprias ofensas. Passe por cima disso, coloque-o no passado e avance para a posição de unção e bênção.

Há uma poderosa geração de pessoas que estão aprendendo a caminhar juntas, trabalhar juntas, entrar em harmonia umas com as outras e agir em sintonia nessa tremenda unção e mover de Deus. São pessoas nas quais você pode confiar. Há um poderoso mover de Deus prestes a chegar que afetará o casamento, as finanças, os filhos, os negócios, as igrejas e os ministérios. Você foi chamado para fazer parte desse mover de Deus nesta geração. Há pessoas que dependem de você. Jesus está esperando, desejando que você assuma seu lugar e dependendo de sua decisão. Ele o escolheu!

por Ellie Hein

Fonte: http://www.revistaimpacto.com.br/?modulo=materia&id=522

Obs.: As imagens não fazem parte do texto original.

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Incapaz de ser Ofendido

por Francis Frangipane

“Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ez 36.26).

Deus tem um novo coração para nós que é incapaz de ser ofendido, um coração que não pode ser atingido. Amado, possuir um coração como esse não é opcional, não é um luxo para alguém que deseja ser muito espiritual; também não é uma questão de pouca importância. Pense comigo: Jesus avisou que, à medida que o final dos tempos fosse chegando, a maioria das pessoas ficaria tão vulnerável a ofensas e tropeços que cairia da fé. Ouça seu alerta com cuidado:

Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros (…) E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos (Mt 24.10-12).

“Muitos” serão escandalizados (serão ofendidos ou tropeçarão); o amor se esfriará “de quase todos”. Oro para que ouçamos suas palavras com santo temor.

Quando permitimos que uma ofensa (escândalo, algo revoltante) permaneça em nosso coração, essa ofensa causa sérias consequências espirituais. No versículo acima, Jesus indicou três resultados perigosos: traição, ódio e esfriamento do amor. Quando somos escandalizados (ofendidos) por alguém – até mesmo alguém de quem gostamos -, devemos ir até a pessoa. Do contrário, começamos a trair aquele relacionamento, a falar mal da pessoa para os outros, expondo a fraqueza e os pecados dela. Podemos mascarar nossa traição ao dizer que estamos apenas buscando aconselhamento, mas, quando olhamos para trás, vemos que falamos de seus problemas para muita gente. Nosso verdadeiro objetivo não era ter ajuda espiritual, mas procurar vingar-nos daquele que nos ofendeu. Como tal atitude não é uma manifestação de ódio? Afinal, um coração ofendido, o esfriamento do amor, a traição e o ódio andam juntos.

As pessoas normalmente não tropeçam nas rochas; tropeçam em pedras, isto é, nas pequenas coisas. Pode ser que a personalidade de uma pessoa que tem posição de autoridade sobre nós nos incomode e acabe, por isso, ofendendo-nos. Pode ser que um amigo ou familiar não consiga corresponder a nossas expectativas, e que guardemos uma mágoa ou ofensa no coração. Amado, se quisermos “perseverar até o fim”, teremos de confrontar as coisas que nos incomodam.

Quando Jesus nos adverte de que precisamos de perseverança, ele está dizendo que é mais fácil entrar na corrida do que ficar nela até o fim. Entre hoje e o dia de sua morte, você terá de enfrentar e superar momentos de grande ofensa e mágoa. Você pode estar passando por um desses momentos agora mesmo. Não subestime o perigo de guardar ou alimentar uma ofensa.

Ninguém planeja cair; ninguém diz: “Hoje, acho que vou fazer com que meu coração se esfrie e endureça”. Essas coisas entram em nosso interior às escondidas, e é ingenuidade pensar que não podem acontecer conosco. Conheço muitas pessoas que se ofenderam por várias coisas, uma após a outra. Em vez de lidar com as ofensas, guardaram-nas e as carregaram até que o peso passou a impedir seu caminhar com Deus. Você pode estar muito bem hoje, mas lhe garanto que não conseguirá evitar que algo lhe aconteça amanhã ou depois que o decepcionará e ferirá – alguma injustiça o atingirá, fazendo com que sinta obrigação de revidar na carne.

A Raiz da Ofensa

Uma ofensa pode atingir nossas virtudes ou nossos pecados, nossos valores ou nosso orgulho. Pode penetrar e ferir qualquer dimensão da alma – tanto boa quanto ruim. Certa vez, ministrei uma série de mensagens sobre fofoca. A maior parte das pessoas viu o pecado que estava cometendo e se arrependeu, mas algumas, que tinham problema com isso, sentiram-se muito ofendidas e acabaram saindo da igreja. Se recusamos a oportunidade de nos arrepender quando o Espírito Santo expõe o pecado existente em nosso coração, podemos ficar ofendidos com a pessoa que trouxe o ensinamento. Em vez de humilhar o coração, ficamos furiosos com o pastor ou pregador que apontou nosso erro.

Nos dias de hoje, existem pregadores que têm medo de pregar a verdade por temer que as pessoas reajam e saiam da igreja. O resultado final é uma igreja de pessoas facilmente ofendidas que não conseguem crescer por causa da incapacidade de aceitar a correção.

As pessoas não mudam apenas por encorajamento ou estímulo positivo. Existem áreas em todos nós que precisam ser confrontadas e disciplinadas (2 Tm 4.2). O pastor que recusa disciplinar e corrigir os que estão no pecado está em desobediência a Deus. Ele é incapaz de levar as pessoas a quaisquer mudanças verdadeiramente transformadoras em sua vida; elas não “perseverarão até o fim” se não conseguirem ser corrigidas (Mt 24.13).

Precisamos ser um povo que diz: “Senhor, mostra-me o que precisa ser modificado em mim”. Estou falando sobre maturidade. O homem sábio receberá uma repreensão e prosperará, mas o tolo rejeita a disciplina de seu pai (Pv 15.5).

Ofensa Pessoal

Uma ofensa pode ferir nosso orgulho quando não somos reconhecidos por nossas boas obras ou ministério. Isso aconteceu comigo e com minha esposa há muito tempo quando estávamos na Califórnia. Como jovens pastores, estávamos participando de uma conferência quando o líder principal decidiu cumprimentar pessoalmente cada ministro e sua esposa. Ele cumprimentou o casal que estava à nossa direita e, então, voltou para sua equipe a fim de fazer uma pergunta. Um pouco depois, ele veio novamente, mas passou por nós e dirigiu-se ao casal à nossa esquerda. Todos que estavam ao nosso redor viram que fomos esquecidos. Ficamos constrangidos e ofendidos. No entanto, minha esposa observou sabiamente que tínhamos a opção de permitir que aquilo nos magoasse ou de ver o acontecido como um investimento para aumentar nossa percepção dos sentimentos de outras pessoas. A ofensa nos ensinou como os outros se sentem quando são ignorados. Você enxerga isso? Você precisa fazer com que a ofensa se transforme em uma oportunidade de tornar-se mais semelhante a Cristo.

As ocasiões em potencial para se ofender são praticamente infinitas. Na verdade, todos os dias temos a oportunidade de nos sentir ofendidos por algo ou de possuir um coração que é incapaz de se ofender. A promessa do Senhor é dar-nos um novo coração: um coração maleável e tratável capaz de ser cheio de seu Espírito e transbordante de seu amor.

Fonte: http://www.revistaimpacto.com.br/?modulo=materia&id=520