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A cruz é uma coisa radical

A cruz de Cristo é a coisa mais revolucionária que já apareceu entre os homens.
. . Depois que Cristo ressurgiu dos mortos, os apóstolos saíram a pregar a Sua mensagem, e o que pregaram foi a cruz. E por onde quer que fossem pelo mundo, levavam a cruz, e o mesmo poder revolucionário ia com eles. A mensagem radical da cruz transformou Saulo de Tarso e o mudou de perseguidor dos cristãos em um terno crente e um apóstolo da fé. Seu poder mudou homens maus em bons. Sacudiu a longa escravidão do paganismo e alterou completamente toda a perspectiva moral e mental do mundo ocidental.
. . Fez tudo isso, e continuou a fazê-lo enquanto se lhe permitiu permanecer como fora originalmente, uma cruz. Seu poder se foi quando foi mudado de uma coisa de morte para uma coisa de beleza. Quando os homens fizeram dela um símbolo, penduraram-na nos seus pescoços como ornamento ou fizeram o seu contorno diante dos seus rostos como um sinal mágico para protegê-los do mal, então ela veio a ser, na sua melhor expressão, um fraco emblema, e na pior, um inegável feitiço. Como tal. é hoje reverenciada por milhões que não sabem absolutamente nada do seu poder.
. . A cruz atinge os seus fins destruindo o modelo estabelecido, o da vítima, e criando outro modelo, o seu próprio. Assim, ela tem sempre o seu método. Vence derrotando o seu oponente e lhe impondo a sua vontade. Domina sempre. Nunca se compromete, nunca faz barganhas, nunca faz concessão, nunca cede um ponto por amor da paz. Não se preocupa com a paz; preocupa-se em dar fim à sua oposição tão depressa quanto possível.
. . Com perfeito conhecimento disso tudo, Cristo disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” Assim a cruz não só põe fim à vida de Cristo; termina também a primeira vida, a velha vida. de cada um dos Seus seguidores verda-deiros. Ela destrói o velho modelo, o modelo de Adão, na vida do crente, e lhe dá fim. Então o Deus que levantou a Cristo dos mortos levanta o crente, e uma nova vida começa.
. . Isto, e nada menos que isto, é o cristianismo verdadeiro, embora não possamos senão reconhecer a aguda divergência que há entre esta concepção e a sustentada pelo tipo comum de cristãos conservadores hoje. Mas não ousamos qualificar a nossa posição. A cruz ergue-se muito acima das opiniões dos homens e a essa cruz todas as opiniões terão que vir afinal para julgamento. Uma liderança superficial e mundana gostaria de modificar a cruz para agra¬dar os religiosos maníacos por entretenimento que querem divertir-se até mesmo dentro do santuário; fazê-lo, porém, é cortejar a tragédia espiritual e arriscar-se à ira do Cordeiro feito Leão.
. . Temos que fazer alguma coisa quanto à cruz, e só podemos fazer uma destas duas: fugir ou morrer nela. E se formos tão temerários que fujamos, com esse ato estaremos pondo fora a fé vivida por nossos país e faremos do cristianismo uma coisa diferente do que é, Neste caso, teremos deixado somente o vazio linguajar da salvação; o poder se irá juntamente com a nossa partida para longe da verdadeira cruz.
. . Se somos sábios, faremos o que Jesus fez: suportaremos a cruz e desprezaremos a sua vergonha pela alegria que está posta diante de nós. Fazer isso é submeter todo o esquema da nossa vida, para ser destruído e reconstruído no poder de uma vida que não se acabará mais. E veremos que é mais que poesia, mais que doce hinologia e elevado sentimento, A cruz cortará fundo as nossas vidas onde fere mais, não nos poupando nem a nós mesmos nem as nossas reputações cultivadas. Ela nos derrotará e porá fim às nossas vidas egoístas. Só então poderemos elevar-nos em plenitude de vida para estabelecer um padrão de vida totalmente novo, livre e cheio de boas obras.
. . A modificada atitude para com a cruz que vemos na ortodoxia moderna prova, não que Deus mudou, nem que Cristo afrouxou a Sua exigência de que levemos a cruz; em vez disto, significa que o cristianismo corrente desviou-se dos padrões do Novo Testamento. Para tão longe nos desviamos que nada menos que uma nova reforma restabelecerá a cruz em seu lugar certo na teologia e na vida da igreja.

por A.W. Tozer

Fonte: http://voltemosaoevangelho.blogspot.com

O Poder da pressão (Watchman Nee)

Não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós e sim no Deus que ressuscita os mortos; o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos. 2 Coríntios 1.8-10

A PRESSÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS

Não só o pecado e a necessidade criam pressão, mas as circunstâncias produzem-na também. Deus permite que os crentes passem pela pressão das circunstâncias para que vivam diante Dele. Freqüentemente, situações adversas são levantadas na vida dos filhos de Deus. Alguns são perturbados pelos familiares, outros, pelos amigos. Alguns podem sofrer perdas nos negócios; outros podem ser perseguidos pelos colegas. Uns podem ser hostilizados ou mal-interpretados pelas pessoas; outros podem ter dificuldades financeiras. Por que todas essas coisas lhes sobrevêm? Muitos crentes normalmente não reconhecem quão preciosa é a vida regenerada que receberam. Embora sejam nascidos de novo, são ainda ignorantes do fato de que sua vida regenerada não tem preço. Mas, uma vez que estejam sob pressão, eles começam a apreciar sua vida regenerada porque essa nova vida que Deus lhes deu os capacita a vencer em todas as situações. Todas essas pressões exteriores podem provar a realidade da vida regenerada e de seu poder. O Senhor propositadamente nos coloca em situações adversas a fim de nos lembrar que, sem Sua vida, não podemos suportar. O poder da Sua vida é manifesto através da pressão exterior.

Se, por exemplo, seu coração está sendo traspassado por algo que leva você a chorar em secreto, e você reconhece que está totalmente desamparado e distante de qualquer conforto, você ganhará vitória completa se, naquele momento, se lançar em Deus. Você ficará maravilhado com a grandeza do poder que lhe dá vitória. Essa pressão exterior leva você a confiar em Deus espontaneamente, capacitando você, por sua vez, a manifestar , a realidade e o poder da vida do Senhor. Naturalmente, os que não creram no Senhor e não possuem a vida regenerada serão, sem dúvida, esmagados sob a forte pressão de tais circunstâncias agonizantes. Um cristão, todavia, é regenerado e tem uma vida dentro de si que é mais forte do que qualquer pressão exterior. Quando é oprimido, então, ele vence, visto que a pressão das circunstâncias simplesmente comprova a vida regenerada dentro dele.

Li uma vez um panfleto intitulado “Seja uma Máquina de Gás”. Ele contava a história de certa pessoa. Na cidade americana de Pittsburgh, a comunidade toda naquela época usava lâmpadas a gás. O proprietário da companhia de gás era cristão. Em certa época, ele começou a enfrentar muitas situações adversas. Seus clientes o acusavam freqüentemente de coisas que não tinham nenhuma relação com ele. Pessoas que negociavam com ele opunham-se-lhe e recusavam dar-lhe a devida cortesia. Então, ele orou a Deus pedindo que lhe concedesse poder para vencer todas aquelas dificuldades. Mas, depois de orar assim, sua situação apenas piorou.

Um dia, um empregado veio dizer-lhe que todas as máquinas na fábrica haviam parado de funcionar. Como ninguém sabia nem conseguia descobrir onde estava o problema, o proprietário mesmo teve de ir inspecionar a situação. Em sua inspeção, ele descobriu que o maquinário estava todo intacto, a não ser uma pequena válvula em uma caldeira, que estava quebrada. Sem qualquer pressão, então, todo o vapor que havia sido produzido não podia ser utilizado e, com isso, nenhuma das máquinas funcionaria. Foi naquele momento que ele ouviu uma voz suave e mansa lhe dizendo: “Você devia ser uma máquina de gás”. Posteriormente, ele testemunhou que este maquinário de gás falou a ele da mesma forma que a mula de Balaão no passado. Louvores e graças a Deus! Ele também comprovou o fato de que não havia pressão porque a válvula estava quebrada; e, sem pressão, as lâmpadas da cidade inteira não poderiam gerar luz. Todavia, a presença da pressão levou as lâmpadas de toda a cidade a brilhar. Por isso, ele não poderia resistir à pressão em sua vida e deveria ser, pelo contrário, uma máquina de gás. Devemos ver que o poder da vida de uma pessoa não pode exceder a pressão que ela recebe. Havia um irmão entre nós que se recusou a cultuar os ancestrais em seu casamento. Seu tio havia conseguido anteriormente um emprego para ele no banco, mas, devido à sua recusa em cultuar os ancestrais, não lhe deram aquela posição. Todos lamentamos por ele, mas esse incidente obviamente mostrou quanto poder havia nele. Porque se eu posso ficar de pé depois de ser empurrado, isso mostra quanto poder tenho dentro de mim. Um empurrão exterior apenas manifesta a força interior. O poder manifestado de dentro é tão grande quanto a pressão de fora. A Bíblia não nos fala só do fato da ressurreição, mas também revela-nos o princípio da ressurreição. O Senhor Jesus Cristo foi ressuscitado dentre os mortos. Isso é um fato. Mas muitos ensinamentos concernentes à ressurreição, tais como conhecer seu poder, pertencem ao princípio da ressurreição. De modo que a ressurreição não é apenas um fato; ela é também um princípio que deve ser provado em nossa vida.

O princípio da ressurreição é baseado no fato da ressurreição. Certo Homem que estava vivo fisicamente um dia foi crucificado. Naturalmente, Ele morreu e foi sepultado. Mas ressuscitou dentre os mortos. A escravidão da morte não tinha poder sobre Ele, porque havia Nele um poder maior do que a morte. E, embora esse poder tenha passado pela morte, estava vivo, pois não podia ser tocado pela morte. Por isso, o princípio da ressurreição é vida que sai da morte.

Suponhamos que um irmão seja naturalmente paciente, gentil e amoroso. Essas nada são além de partes da sua bondade natural que não poderiam ser ressuscitadas. Mas Deus permite que seus amigos, parentes e colegas o pressionem, afligindo-o e ferindo-o a tal ponto que ele não pode mais suportar, vindo a perder a calma. Naquele momento, ele reconhece que tudo o que vem do natural não pode passar pela morte (que é a maior prova) e permanecer vivo.

E se, durante aquele momento, ele levantar a cabeça e orar: “O Deus, minha paciência chegou ao fim; permita que Tua paciência se manifeste em mim”, então, para sua grande surpresa, ele se descobrirá agindo com paciência sob todos os tipos de morte. Agora, isso é ressurreição, pois a ressurreição é a vida de Deus que passa pela morte e ainda existe.

Qualquer coisa que seja natural não pode ser ressuscitada após passar pela morte. Mas tudo o que pertence a Deus viverá depois de passar pela morte. Muitos não sabem o que pertence ao ego e o que pertence a Deus, o que pertence ao natural e o que pertence a Cristo, o que é velho e o que é novo, o que é natural e o que é sobrenatural. Conseqüentemente, Deus permite que a morte venha sobre eles a fim de conhecerem o que pode passar pela morte e o que não pode. E, assim, eles conhecerão a ressurreição.

Por que Deus permite que a pressão venha sobre você? Por nenhuma outra razão senão a de lhe revelar que qualquer coisa que você julgue capaz de realizar, de suportar e de resistir a ela deve ser reduzida a nada. Você é pressionado a tal ponto que só pode dizer: “O Deus, não posso mais suportar. Minha força esgotou-se. Por favor, manifesta Teu poder!”. Deus vai permitir que você seja pressionado até que obtenha o poder Dele. Naquele ponto, a pressão torna-se não apenas seu poder de oração, mas ela extrai, também, o poder operador de Deus.

Assim aconteceu com o Senhor Jesus Cristo: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, ele fica só”, observou o Senhor Jesus, “mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12.24). Minha oração é que você e eu possamos conhecer Cristo e Seu poder de ressurreição mais profundamente, dia a dia.

Este foi o alvo de Paulo em toda a sua vida: “Não que já a tenha alcançado”, declarou o apóstolo, “ou que seja perfeito; mas prossigo (…) para que possa conhecê-Lo (experimentá-Lo), e o poder da Sua ressurreição (não apenas o fato da ressurreição de Cristo)” (Fp 3.12, 10). Ele também declarou isto: “Em tudo somos atribulados, porém não angustiados (isso se refere à situação exterior deles); perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a Sua vida se manifeste em nosso corpo” (2 Co 4.8-10). Isso se refere às circunstâncias de Paulo e à vida dentro dele. Ele tinha muitas pressões exteriormente, mas tinha também grande poder dentro de si. As pressões externas a ele apenas manifestavam seu poder interior.

O ambiente onde cada um de nós está é preparado por Deus. Por favor, lembre-se de que você está onde está pela ordenação Dele, seja no lar, na escola ou no trabalho.

Sejam quais forem as circunstâncias em que você se encontrar, sejam elas suaves ou ásperas, Deus quer que você manifeste a vida de ressurreição de Cristo. O crescimento de um cristão depende da maneira como ele lida com o ambiente onde está. Todas as coisas que nos pressionam muito têm como propósito treinar-nos para conhecermos o poder da ressurreição.

Quem é o mais poderoso? Aquele que oferece mais orações será, sem dúvida, o mais poderoso. Mas o que significa alguém dizer que a vida mais profunda possui maior poder? Significa nada mais do que isto: a pessoa que tem mais pressão tem mais habilidade para tratar com ela. De modo que a profundidade da vida de um crente pode ser medida pela maneira como ele trata com sua pressão. Infelizmente, o cristão, com muita freqüência, gosta de preservar seu poder natural. Ele não quer morrer, exatamente como Pedro não queria que o Senhor morresse. Entretanto, se o Senhor não tivesse morrido, hoje não haveria ressurreição. Muitos cristãos consideram, como vida boa, aquela que tem poucas dificuldades e angústias. Sempre que deparam com alguma coisa dolorosa, eles pedem a Deus para removê-la. Podemos dizer que eles estão vivendo, mas isso certamente não pode ser chamado de ressurreição. Suponhamos que, em sua constituição natural, você pudesse suportar a censura de dez pessoas, mas não mais; assim, pede a Deus para não permitir que você seja tentado acima da censura dos dez. Mas Deus permite que a pressão de onze pessoas venha sobre você. Em tais situações, você, por fim, clama a Ele que não pode mais suportar, pois está além da sua capacidade. Permita-me dizer que Deus, não obstante, deixará que você seja pressionado além daquilo que seu próprio poder e paciência e bondade naturais possam suportar. O resultado será que você dirá a Ele que não pode mais suportar e pedirá que lhe conceda o poder para vencer. Naquele momento, você experimentará um poder novo e maior que pode suportar crítica, não apenas de dez, mas até de vinte pessoas. Você veio a reconhecer e experimentar que, quanto maior for a pressão, maior seu poder; e que, sempre que estiver sem poder, é porque você não foi colocado sob a disciplina da pressão.

Então, se isso é assim, por que muitos demoram-se em buscar a Deus até que a pressão torna-se grande? Devemos, antes, bus-cá-Lo tão logo sintamos nossa incapacidade e, imediatamente, receberemos o poder necessário. Por isso, sempre que deparamos com nova pressão, devemos utilizá-la para transformá-la em poder. Nosso poder crescerá com cada encontro desses.

Deus nunca preserva a constituição natural; Ele só quer o ressurreto. Ele nunca muda o natural, visto ser Ele “o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4.17). Chamar algo do nada é o poder que Deus tem de criar, dar vida ao que está morto é o poder redentor de Deus. Abraão creu em Deus como Aquele que cria todas as coisas do nada e dá vida aos mortos. O homem gostaria de proteger sua vida, mas Deus rejeita essa vida. E depois que o homem é quebrado por Deus e Lhe confessa que é absolutamente desamparado, aquele homem será ressuscitado dos mortos. Esse é o segredo da vida e do poder.

Quando deparar com muitas pressões, você deve lembrar que pressão é poder e, portanto, não devem ser evitadas, mas, sim, acolhidas. Pois quanto maior for a pressão sobre você, maior será seu poder. Você vencerá tudo e obterá força ainda maior.

A cruz: a base do ministério de vida

A segunda Carta aos Coríntios é, acima de tudo, um livro de sofrimento. Ali vemos o servo de Deus, Seu vaso escolhido, passando por terríveis provas de fogo e sofrendo como, talvez, nenhum outro apóstolo ou servo do Senhor jamais tenha experimentado. O sofrimento está gravado no livro todo: sofrimento físico, mental e espiritual; alguns foram passageiros e outros, permanentes. Mas ele mostra o motivo para esses sofrimentos ao dizer: “Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também Sua vida se manifeste em nosso corpo” (4.10). Essa é a base de todo ministério em vida. É preciso haver sofrimento e dor; é preciso haver a cruz, se a vida de Cristo tiver de ser manifestada. “De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida”.

Sempre que houver um afastamento da cruz, uma fuga do Calvário, uma recusa do caminho da dor e do sofrimento, uma indisposição para pagar o preço e sofrer dor e perda, então, haverá pobreza, morte, superficialidade e vazio que nada nos dará para ministrarmos aos filhos de Deus. “Que a morte nunca cesse de operar em mim, para que a vida também nunca cesse de fluir para os outros.”

Qual é a explicação para a superficialidade e pobreza tão marcantes no ministério nestes dias? É porque os ministros mesmos experimentaram muito pouco. Eles deram um jeito de escapar da cruz sempre que Deus a ofereceu ou designou a eles. Sempre existe um meio de escape, outro caminho cujo preço não seja tão alto, um caminho inferior e não o caminho da cruz. Quão raros e poucos são os realmente ricos espiritualmente. E por quê? Porque seus sofrimentos não foram abundantes.

Os arranjos de Deus são perfeitos. Ele sabe que tipo de sofrimento cada um precisa: se é físico, material, mental ou espiritual. Quando Deus em Sua sabedoria os faz chegar a nós, porque vê que precisamos deles, regozijemo-nos e procuremos ver o Senhor neles. Vamos aceitá-los com alegria, reconhecendo que somos totalmente fracos e incapacitados para eles, mas que Ele é graciosamente capaz. Ele realmente é, e, na circunstância, nós O encontramos em Sua plenitude e suficiência. Conhecemos a Deus de forma real porque O encontramos fazendo em nós e por nós o que não podemos fazer. Assim somos capacitados a ministrá-Lo em vida aos outros, a edificar o Corpo, a espalhar vida – Sua vida – onde quer que formos. Sempre que a morte estiver realmente operando em nós, então, e só então, é que a vida pode verdadeiramente fluir para os outros.

O Quebrantamento Produz o Ministério

Isaque representa aquele que tinha tudo por meio dos dons. Observe que tudo o que recebeu veio do seu pai. Era algo objetivo para ele, algo fora dele. Até mesmo quando Isaque abençoou os filhos, ele ficou bastante confuso, pois estava quase cego e confundiu os rapazes.. Não foi assim com Jacó, pois este havia sido quebrado e realmente foi espatifado pelo Senhor; e o Espírito de Deus trabalhou interiormente a própria vida de Deus nele, até que ele disse: “A Tua salvação espero, ó Senhor!” (Gn 49.18). Quando abençoou seus filhos, ou melhor, os filhos de José, Jacó sabia exatamente o que estava fazendo. Ele o fez com inteligência. Ele disse: “Eu sei meu filho, eu o sei” (Gn 48.19). Jacó tinha luz , Jacó tinha revelação, porque havia sido quebrado.

Muitos perguntam: “Por que muitos servos bastante usados por Deus falham ou terminam sendo colocados de lado, isto é, não são mais usados por Ele? Quem pode dizer que Deus já os havia usado? e se Ele usou, foi apenas concedendo dons. Deus, em Seu direito soberano, escolheu alguém para lhe conceder um dom temporário, para ser usado por Ele durante algum tempo, porque o homem não era interiormente digno de qualquer outro ministério.

“Temos porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2Co 4.7). O Senhor nos conduz através de provas de fogo, as quais não poderíamos suportar nem por elas passar, situações em que não seríamos vitoriosos e nas quais seríamos terminados; todavia, é exatamente aí que descobrimos que aquilo que é precioso em nosso interior funciona. Por causa daquilo que é precioso dentro do vaso, por causa da vida de Cristo no interior de nós seguimos até o fim. Somos vitoriosos onde não poderíamos ser. Levamos no corpo o morrer de Jesus e, consequentemente, a vida de Jesus se torna manifesta.

Você só pode ajudar as pessoas na proporção em que você mesmo tenha sofrido. Quando maior o preço paga, mais você pode ajudar os outros; quanto menor o preço, menos você pode ajudar os outros. À medida em que você passa por provas de fogo, teste, aflições, perseguições e conflitos, e à medida em que você permite ao Espírito Santo operar o morrer de Jesus em você, a vida, a vida de Cristo, fluirá para os outros.

Fonte: http://camposdeboaz.xn.blog.br/a-cruz-a-base-do-ministerio-de-vida-watchman-nee