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A oração da mulher cananéia

E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã. (Mt 15.22-28)

Estava hoje lendo esta passagem de Mateus onde é narrado o diálogo de Jesus com uma mulher cananéia. De acordo com o texto a mulher estava profundamente angustiada em função da filha que se encontrava horrivelmente endemoninhada. A mulher não era judia, entretanto ela reconheceu Jesus como o Filho de Davi, o Messias. O único que poderia libertá-la do peso que ela estava carregando.

Vejamos como ela agiu nesta situação:

Primeiro ela reconheceu Jesus como Senhor. Este é o primeiro passo que se deve dar para se achegar a ele.

Depois ela clamou para que ele atentasse para sua miséria (tem compaixão de mim) usando a mesma expressão dos dois cegos que foram curados por Jesus (Mt 9.27).

Jesus ouvia e não falava nada. Pode parecer que ele estava sendo indiferente, mas imagino que ele também estava sofrendo a dor daquela mãe. Para os discípulos aquela cena se mostrava perturbadora. Eles estavam incomodados com o clamor da mulher, ao ponto de pedirem a Jesus para dispensá-la. Era realmente um grande clamor, com gritos e choro. Algum de nós está nesta situação? Se a resposta for sim, o clamor deve continuar até chegar a resposta. Não podemos impressionar ou chamar a atenção de Deus com orações desinteressadas.

Depois da reclamação dos discípulos, Jesus responde à mulher, lembrando-a da sua condição gentia. Ela passa então para o estágio da adoração. Ela o adora e continua clamando por socorro. Jesus mais uma vez argumenta, mas ela insiste no clamor. Neste momento o Senhor exclama: Ó mulher, grande é a tua fé! Que testemunho maravilhoso! Ela impressionou a Deus, tocou os céus. Recebeu o que buscava (Mt 7.7-8). Nem mesmo Pedro pode ouvir tal palavra do Senhor (Mt 14.31).

E quanto a nós? Temos “incomodado” a Deus com nossas orações? Temos sido insistentes e perseverantes? Há muitas coisas que o Pai Celestial gostaria de dar aos seus filhinhos e filhinhas, mas não dá por que esses não pedem com real interesse. Há muitas orações que não passam de ritual, e que não geram relacionamento. Temos na mulher cananéia um grande exemplo que Deus deseja que sigamos. Cheguemos também a ele em inteira certeza de fé.

Lorimar

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