A queda das muralhas de Jericó

“Jericó estava completamente fechada por causa dos israelitas. Ninguém saía nem entrava. Então o Senhor   disse a Josué: “Saiba que entreguei nas suas mãos Jericó, seu rei e seus homens de guerra. Marche uma vez ao redor da cidade, com todos os homens armados. Faça isso durante seis dias. Sete sacerdotes levarão cada um uma trombeta de chifre de carneiro à frente da arca. No sétimo dia, marchem todos sete vezes ao redor da cidade, e os sacerdotes toquem as trombetas. Quando as trombetas soarem um longo toque, todo o povo dará um forte grito; o muro da cidade cairá e o povo atacará, cada um do lugar onde estiver”. (Josué 6:1-5 NVI)

 

Nesta passagem aprendemos lições muito importantes sobre batalha espiritual.

Primeiramente, é preciso estar bem claro que temos um inimigo que tenta frustar os planos de Deus na terra, e que se opõe fortemente àqueles que estão alinhados a este plano; sabendo que o povo de Deus avança, Satanás põe “muros” entre este povo e as pessoas que precisam de salvação. Estes muros, na maioria das vezes parecem intransponíveis. Entretanto, o Senhor sabe como colocá-los abaixo.

No contexto de Jericó, Israel marchou ao redor da cidade, como um sinal de tomada de posse. Eles não marcharam apenas uma vez, mas treze. Antes das muralhas caírem, eles deveriam aprender que elas poderiam ser destruídas; os soldados deveriam rodeá-las armados (qual é a nossa arma de ataque?), acompanhados pelos sacerdotes (quem são os sacerdotes ?). O único objeto que os sacerdotes levavam eram as trombetas, cada um com a sua (o que anunciam as trombetas?).

Tendo aprendido a lição da fé, ela precisava ser verbalizada. Nenhuma barreira resiste ao brado de fé. As muralhas então caíram; no sétimo dia elas foram abaixo, sendo a cidade tomada.

O que podemos aprender disso tudo? Aprendemos que se Deus está interessado que muros sejam destruídos, eles serão. Ele conta com seu povo para fazer isso, através da arma de ataque, sua Palavra, acompanhada pela tomada de posição, palavra profética, oração e louvor.

Ele é Deus Soberano sobre todo o Universo, e nenhum dos seus planos são frustrados.

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Escolhendo um Cônjuge

Por: Stephen Kaung

A família não é uma ideia humana – é um conceito divino. Faz parte integral do propósito de Deus na criação e, também, na redenção. De acordo com Atos 16.31, é a unidade básica para a salvação:
“Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”.

Sendo a família algo tão importante, sua formação deve ser tratada como um assunto muito sério. Se quisermos ver o propósito de Deus cumprido na família, se quisermos ver a glória de Deus manifesta na família, devemos ser cuidadosos, diante do Senhor ao formarmos uma família.

Isso é muito importante, pois a escolha do cônjuge não afetará somente o futuro de sua família, mas também a segunda geração e, talvez, ainda outras. Pode influenciar a Igreja, a sociedade e, assim, todo o mundo; mais do que isso, pode afetar o propósito e a glória de Deus.
Há uma história muito bonita na Bíblia a respeito de como escolher um cônjuge, que gostaríamos de usar como ilustração. Encontra-se em Gênesis 24.

O Casamento se Origina em Deus

Em primeiro lugar, descobrimos que foi Abraão quem iniciou a busca pela esposa para Isaque. Abraão, nessa história, representa Deus. Deus é o originador do casamento, é o originador da família. No início, quando criou o homem, ele disse: “Não é bom que o homem esteja só. Far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2.18). Em relação a tudo o que diz respeito ao casamento, à união entre duas pessoas, precisamos reconhecer que a iniciativa deve vir de Deus.

Física e psicologicamente, quando o jovem chega a determinado ponto, ele começa a sentir necessidade de uma companheira, de uma família. Diante disso, ele pode pensar: “Essa é uma necessidade humana. Por isso, devo sair por aí e tentar supri-la”. Como cristão, porém, você deve lembrar-se de uma coisa: essa necessidade vem de Deus. Ele o criou de maneira tal que sinta essa falta.

Como é algo que vem de Deus, a primeira coisa a fazer não é tentar supri-la por conta própria, mas voltar-se para ele e dizer-lhe: “Senhor, tu colocaste essa necessidade dentro em mim; agora, tu deves supri-la. O Senhor vai encontrar o cônjuge certo para mim. Estou esperando que tu escolhas meu cônjuge”.

Em certo sentido, somos nós que escolhemos; mas em outro, não. É Deus quem escolhe nosso cônjuge. Por isso, não pense que é embaraçoso levar tal assunto a ele. Como crentes, gostamos de levar cada problema que temos a Deus; essa, porém, dentre todas as nossas necessidades, é uma que afetará toda a nossa vida.

Vá à Minha Terra Natal

Abraão chamou seu mordomo e o fez jurar, dizendo: “Não tome mulher para meu filho dentre as mulheres dos cananeus onde eu habito agora. Volte à terra da minha parentela e tome de lá uma esposa para meu filho”. Aqui descobrimos o segundo princípio.

O servo de Abraão representa o Espírito Santo. O propósito é de Deus, e o Espírito Santo é quem opera. Se encomendar esse assunto a Deus, você descobrirá que o Espírito entrará em ação. Porém, se não o encomendar ao Pai Celestial, o Espírito Santo não terá a oportunidade de trabalhar em seu favor. Nesse caso, você terá de trabalhar por si mesmo. Quantos jovens estão se matando de trabalhar nesse assunto! Quão facilmente são enganados; quão facilmente caem em uma armadilha e não conseguem livrar-se dela! Mas, se levarmos esse assunto ao Pai Celestial, o Espírito Santo agirá por nós.

O servo, então, começou a agir. Havia um princípio claro: “Não tome esposa dentre as mulheres dos cananeus, mas volte à minha terra natal”. Deus nos deu um limite, uma esfera de ação. Dentro desta esfera, o Espírito Santo procurará um cônjuge para você. Se você tentar sair desse limite, o Espírito Santo não estará lá trabalhando em seu favor. O limite é: vá para minha terra natal, entre a minha parentela. Espiritualmente falando, significa que Deus estabeleceu um limite para cada pessoa dentro do qual, pelo Espírito Santo, elas podem buscar um cônjuge: entre a parentela, entre crentes, entre aqueles que são da família de Deus.

Não Vos Ponhais Em Jugo Desigual Com os Incrédulos

Em 2 Coríntios 6, Paulo diz: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos”. Nós, crentes, somos exortados a não nos prendermos a um jugo desigual com os incrédulos, porque, numa família, num casamento, marido e mulher são colocados juntos por toda a vida. A seguir, ele dá várias razões para isso, dentre as quais queremos destacar uma.

“Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente…” No que diz respeito a nosso propósito de vida, somos o templo de Deus. Estamos aqui para permitir que Deus viva em nós e para servi-lo. Mas, no que diz respeito às pessoas deste mundo, elas servem aos ídolos, a outros interesses e senhores. Não há concordância.

Se você está se exercitando nesse assunto de encontrar seu cônjuge, não vá às filhas dos cananeus. Em outras palavras, não encontre seu cônjuge entre pessoas que não servem ao Senhor, mas entre aqueles que são da família de Deus.

Alguns dirão: “Bem, se eu tentar encontrar um cônjuge entre os incrédulos, eu posso levá-lo a Jesus”. Um dia, uma irmã foi até Spurgeon, aquele grande pregador, e perguntou-lhe: “Qual é o problema em eu me casar com um incrédulo? Eu poderia levá-lo ao Senhor. Isso não é bom?”

Spurgeon disse: “Tudo bem, vamos fazer uma coisa”. Havia uma mesa na casa. Ele pediu à jovem irmã para subir na mesa. Ela não sabia por que ele queria que fizesse aquilo, mas atendeu ao pedido e ficou de pé sobre a mesa. Então, Spurgeon estendeu a mão e disse-lhe: “Me puxe para cima”. No entanto, a irmã é que foi puxada para baixo. Ela não pôde puxar Spurgeon para cima da mesa.

Então, Spurgeon falou: “Se você quiser se casar com um incrédulo, isso é o que acontecerá. Você pensa que pode puxá-lo para cima, mas você será puxada para baixo”.

Muitas famílias terminaram em grandes tragédias porque, logo no início, aquele que era crente menosprezou a Palavra de Deus. O Espírito Santo sempre opera segundo a orientação da Palavra. Não devemos esperar que ele trabalhe por nós em desacordo com o que Deus afirma.

Contudo, se obedecemos a Deus, podemos contar com sua operação em nosso favor.

O Lugar da Graça

Observe como o servo de Abraão foi encontrar a companheira para Isaque. Mesmo na cidade de Naor, havia muitas mulheres, muitas virgens que ainda não eram casadas. O servo era um estrangeiro naquela cidade. Como iria encontrar uma mulher para o filho de seu senhor ali?

Naqueles dias, normalmente havia um poço fora da cidade ou na praça. Era o lugar para onde as mulheres iam com seus cântaros com a intenção de tirar água e levar para casa. Assim, quando o servo veio à cidade de Naor, ele sabia aonde ir. Ele foi ao poço, fez com que os camelos se ajoelhassem e, então, começou a orar.

O que o poço representa? Nas Escrituras, poço sempre indica graça. Do poço, vem água viva, o que representa o Espírito da vida. Isso é graça.

Assim, aonde o servo deve ir? Em primeiro lugar, à cidade de Naor; em segundo lugar, ao poço. Espiritualmente falando, podemos dizer que o poço é onde os crentes se reúnem, em torno do Senhor, onde podem receber a graça de Deus. É para esse lugar que você deve ir para encontrar um cônjuge. Você não deve ir a uma danceteria, a um cinema, a uma pista de corridas, a um comício político ou a uma reunião social para encontrar seu cônjuge, mas à igreja, ao local onde o povo de Deus vai buscar água, aonde vai buscar a vida de Deus. É nesse lugar que você encontrará seu(sua) companheiro(a) para a vida toda.

Se você está procurando um cônjuge, confie que o Espírito Santo o guiará e o conduzirá; porém, você precisa ir ao lugar certo. Não vá ao mundo para tentar encontrar um companheiro, vá ao povo de Deus. Lá, enquanto você busca água e aprende a servir juntamente com os santos, o Senhor lhe revelará quem é seu cônjuge. Apenas ore e confie isso ao Senhor.

Dois Extremos

Podemos tornar esse assunto de escolher um cônjuge muito espiritual ou meramente humano. Podemos ir para os dois extremos. Algumas pessoas o tornam completamente humano, deixando Deus de lado. Eles dizem: “Bem, tenho uma necessidade. É algo físico, algo que faz parte deste mundo. Sou eu que devo escolher um companheiro”. Então, eles vão em frente e tornam-se muito ativos, procurando um cônjuge. Vão a todo tipo de reunião social para ter mais oportunidades de escolher. Ficam muito envolvidos nesse assunto, mas nunca oram. Esse é um extremo.

Podemos ir, também, para o outro extremo e nos tornar muito espirituais — superespirituais, pseudoespirituais. Isto é, você confia o assunto ao Senhor e deixa tudo para ele. Com isso, você se assenta e fica muito passivo. Você nem mesmo coopera com o Espírito Santo. Isso é ser pseudoespiritual. Você sabe, em todas as coisas espirituais, precisamos ser passivamente ativos. É assim em todas as coisas espirituais. Seja lendo as Escrituras, seja fazendo outras coisas ou escolhendo um cônjuge, nossa atitude precisa ser sempre passivamente ativa. Isso significa que precisamos confiar esse assunto ao Senhor e estar alerta à direção do Espírito Santo, aprendendo a cooperar.

Caráter

O servo orou: “Quando as mulheres vierem pegar água, se eu disser: ‘Dá-me de beber’…” Lembre-se de que ele não tinha a intenção de perguntar a cada mulher. Ele poderia ficar lá perguntando a centenas de mulheres porque, provavelmente, centenas de mulheres iam ao poço pegar água. Se ele perguntasse a cada mulher, ficaria muito confuso. Ele simplesmente disse: “Senhor, quando as mulheres vierem, irei observá-las. Então, vou conversar com aquela que eu notar”.

Assim é que se escolhe o cônjuge. Por um lado, você confia a questão ao Senhor. Seu coração está aberto para ele. Você quer que ele escolha para você. Se você tem esse tipo de atitude e está orando, então comece a observar. Você não pede a qualquer um ou a todos, mas quando alguém vem e, de alguma forma, você sente que deve iniciar algo, nesse instante você pede.

Evidentemente, ao fazer isso, você levará em conta a aparência exterior. Embora a aparência exterior não seja tudo, ela revela mais do que muitos pensam. Quando o servo observava, ele avaliava diversos aspectos. Certamente, queria encontrar beleza, mas, em cada atitude, no modo dela de agir, ele descobriria muito a seu respeito. Se estivermos emocionalmente envolvidos, nos tornaremos cegos. Mas se pudermos ficar de lado e observar o que o Senhor fará, então tudo se resolverá.

E, de fato, Deus lhe respondeu rapidamente. “Eis que Rebeca veio”. Ela era muito bela e era uma virgem. Como o servo sabia? Ele não sabia.

Deus sabia. Ele apenas sabia que ela tinha boa aparência, mas, enquanto observava, o servo sentiu que havia um potencial ali. Havia mais em Rebeca do que apenas uma boa aparência. Algo mais foi revelado, talvez pelos seus modos, pelo seu jeito. Assim, quando ela tirou a água, o servo foi adiante e pediu a ela um pouco de água de seu cântaro para beber.

Observe o que Rebeca fez. Apressando-se, deitou o cântaro e disse: “Beba, e eu também darei de beber aos camelos”. Ela começou a pegar e despejar a água no bebedouro para que os camelos bebessem. O servo tinha dez camelos. Depois de os camelos terem atravessado o deserto, deviam estar muito sedentos. Para satisfazer a sede de dez camelos, a mulher teve de tirar muita água! Dar de beber a um homem velho é uma coisa, mas dar de beber a dez camelos é muito trabalho. Os camelos podem beber, beber e beber. Conseguem armazenar água para mais uma jornada distante.

Aqui você descobre que, a fim de encontrar uma esposa para Isaque, o servo estava olhando para algo além do físico. No que diz respeito ao físico, a mulher poderia ser de boa aparência. Além disso, porém, o servo estava em busca de caráter. Para uma mulher ser uma esposa, ela tem de ser compassiva, cuidadosa, generosa, amiga, hospitaleira, diligente. Essas marcas de caráter são muito, muito importantes. Para uma mulher dar de beber a um estrangeiro, isso é cuidado; mas sua compaixão e seu cuidado foram estendidos, não somente ao homem, mas também aos animais. Havia algo naquele caráter. Observe quão diligente ela era. Ela não estava tentando fazer o mínimo de trabalho possível. Ela não tinha medo de trabalhar. Era diligente e hospitaleira. Essa seria uma boa companheira para Isaque.

A segunda parte de Provérbios 31 é linda. Espero que todos os jovens solteiros a leiam muitas vezes. Lá, você descobrirá essa mulher cujo valor é tremendo. Que tipo de mulher ela é? Ela é diligente, cuidadosa, generosa. Ela abre os braços aos pobres e estende as mãos aos necessitados. Ela abre a boca com sabedoria, e a instrução fiel está em sua língua. Ela cuida da sua casa e não come o pão da preguiça. Seus filhos se levantam e a chamam de bem-aventurada. Seu marido também a louva dizendo: “Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas.

Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada”. Isso é caráter.

Aqui, então, você descobre que, na escolha de um cônjuge, não é apenas a beleza física que conta, mas a beleza interior, o caráter. Isso é muito, muito importante. Quer seja homem, quer seja mulher, certas marcas de caráter são importantes.

O Espírito de Adoração

Durante todo aquele tempo, o servo apenas ficou ali de pé e observou. Ele apenas observava como Deus trabalharia. Quando tudo terminou, ele pegou um pendente e duas pulseiras de ouro, deu-os à mulher e disse: “Qual é seu nome? De que família você vem? Há lugar para mim, meus servos e os camelos pousarmos?”

Rebeca disse ao servo que ela vinha da família de Abraão, de Naor, e que havia pousada em sua casa. Você sabe o que o servo fez? Ele se ajoelhou e adorou a Deus. O espírito daquele servo, por todo o capítulo, é o espírito de adoração.

Não faça desse assunto algo comum, que nada tenha a ver com adoração. Não. Se você confiar esse assunto ao Senhor, se esperar no Espírito Santo, se realmente andar em seus caminhos, você verá como o Espírito de Deus trabalhará e ficará apenas como alguém que observa. Isso extrairá de você adoração. A cada passo, produzirá adoração.

Quanto da nossa procura nos leva à adoração hoje? Mas isso é o que deveria acontecer. Todo o processo deveria ser uma questão de adoração, vendo Deus trabalhar em favor do seu próprio propósito. Oh, quão belo isso será!

Stephen Kaung é ministro da Palavra, conferencista e autor de vários livros. Trabalhou durante muitos anos na obra do Senhor ao lado de Watchman Nee, na China. Além de atuar em várias outras áreas do ministério, foi tradutor e publicador de muitos livros de Watchman Nee em inglês. Reside atualmente na Virgínia, EUA.

Este artigo foi adaptado de um capítulo do livro O Propósito de Deus Para a Família, Edições Tesouro Aberto, de Stephen Kaung.

Fonte: http://www.revistaimpacto.com.br/escolhendo-um-conjuge

IMPACTO PROFUNDO!

Por: Luiz Montanini

“História dos 40 anos de trabalho, somada à do avivamento em Rubiataba na década de 70 e aos testemunhos de alguns líderes do Brasil, mostra os benefícios e efeitos que o ministério da família Walker e de simpatizantes produziram e produzem nesta geração.”

Nem bem amanheceu o dia, e o jovem Robert Walker, o primogênito dos homens, arreou o cavalo, atrelou-o à carroça cheia de hortaliças fresquinhas que acabara de colher e partiu da propriedade rural para o centro da pequena cidade, ali perto, para oferecer sua mercadoria de porta em porta. Antes do meio-dia, ainda daria tempo de pegar alguns mantimentos para a família de oito americanos recém-chegada a um novo e promissor território.

Quem imaginou a cena acontecendo no Arizona ou no Tennessee, por volta de 1878, enganou-se, e aqui vão três dicas para que o leitor descubra de que país estamos falando: primeira, o nome da cidade visitada é Rubiataba.

Se ainda parece difícil – afinal, Rubiataba pode ser nome de tudo, até de cidade americana –, vamos diretamente às outras duas dicas, porque temos coisas mais importantes a dizer: o cavalo atendia por Mandão, nome apropriado e bem brasileiro, como se sabe, e o território (o estado, no caso) é Goiás.

Pois foi exatamente naqueles confins da Terra, em Rubiataba, a 243 km de Goiânia (na época, a distância parecia três ou quatro vezes maior, de tão precários os transportes, estradas e acessos), que, em janeiro de 1968, a família do casal John e Ruth Walker fixou residência, complementada pelos filhos Katharine, Robert, Christopher, Harold, Peter e pelo caçula Thomas, então bem jovens.

Mas que raios uma família de americanos viera fazer naquele fim de mundo, naquela época e naquelas condições tão difíceis e precárias? (Ainda mais diante do fato de que haviam entrado no país com vistos de simples imigrantes, carimbados quatro anos antes, em fevereiro de 1964, quando se instalaram provisoriamente em Lagoa Santa, região metropolitana de Belo Horizonte, onde permaneceram até se mudarem para a isolada e desconhecida Rubiataba, no centro geográfico do país.)

Hoje, 47 anos depois, muitos integrantes da comunidade cristã brasileira guardam no depósito do próprio coração e em frutos espirituais amadurecidos ao longo destas quase cinco décadas uma nova visão para a igreja brasileira – esta, aliás, o motivo do êxodo da família dos EUA. Uma visão que vem sendo revelada, compilada, e divulgada há quase 40 anos, desde o ano de 1972, quando a família Walker, como ficou conhecida, passou a produzir e replicar, de forma artesanal, folhas grampeadas, apostilas e livretos com escritos próprios e de outros homens de Deus. Alguns desses materiais foram fruto de seminários realizados na própria Rubiataba e que atraíam líderes de todo o país, enquanto outros vieram de contatos com pessoas no mundo todo, com cujas palavras proféticas se identificavam.

Essência Antes da Aparência

Neste ano de 2011, sem John Walker entre nós, que escolheu, por assim dizer, a melhor parte e está, desde janeiro de 2007, no seio de Abraão, o ministério iniciado pela família Walker em 1972 está perto de completar 40 anos. Continua sem fins lucrativos, mas já não é tão artesanal. Está mudado para melhor na aparência, mas procura se manter simples e relevante na essência.

Possui duas estruturas principais, uma em Americana – onde está instalada a Impacto Publicações, que publica a revista Impacto e o jornal O Arauto da Sua Vinda – e outra na Chácara Peniel em Monte Mor, que recebe alunos de todo o país para cursos de preparação profética e reuniões de ministério ao Senhor, consulta na Palavra e comunhão.

O trabalho hoje inclui ainda: uma escola em Jundiaí de Educação Infantil e de Ensino Fundamental e Médio, que existe há 23 anos e já promoveu onze encontros anuais de atualização e visão pedagógica cristã com educadores de vários estados; parcerias com igrejas e grupos em várias partes do Brasil – cujos nomes não citarei para não correr o risco de esquecer alguém; encontros em alguns locais, como no sítio Vale da Águia, em Sorocaba, da comunhão de grupos à qual pertence Pedro Arruda, um dos integrantes do ministério Impacto; cursos extensivos de preparação profética, como o realizado em Baixa Grande, na Bahia, além de visitas no mesmo tom a diversas igrejas país afora.

O ministério Impacto, como o chamaremos aqui, não possui uma estrutura formal ou administrativa. É conduzido por dois grupos interligados de irmãos que formam uma espécie de conselho deliberativo. Um deles é o conselho editorial da revista (cujos nomes aparecem na página 3) e inclui, além dos dois membros da família mais ativos na área de publicações, Christopher e Harold, vários integrantes que moram em cidades próximas a Americana. O outro é um grupo de relacionamento ministerial que se reúne regularmente para orar e definir os rumos e os próximos passos do serviço voluntário prestado a Deus e à igreja brasileira. É constituído por alguns membros do conselho editorial, mas conta também com várias pessoas que não estão envolvidas diretamente no trabalho da editora.

Enfrentando a Vida em Condições Primitivas

A Rubiataba do início da década de 70 apresentava o seguinte cenário: nas ruas sem asfalto, carroças e carros de bois circulavam livremente entre alguns poucos caminhões de gado, ônibus e fuscas. Movimento maior – principalmente de caminhões – só se via na Rodovia Belém-Brasília, que passava a cerca de 30 quilômetros longe da cidade e que, inicialmente, também não era asfaltada.

As viagens – na maioria para Anápolis e Goiânia – eram feitas de ônibus pinga-pinga, por horas e horas em estradas de terra, passando por algumas vilas que nem sequer existiam no mapa: Ipiranga, Nova Glória, Jardim Paulista, Rianápolis, Jaranápolis.

A família instalou-se e viveu durante anos em uma chácara sem água encanada, sem eletricidade, sem fogão a gás, sem geladeira e sem carro. Os rapazes (especialmente Robert, Harold e, mais tarde, Thomas) plantaram uma grande horta durante anos para consumo próprio da família e cujo excedente era vendido todas as manhãs, de carroça, na cidade.

Porém, plantar, comer e vender verduras e frutas, ainda que fosse bom, não era exatamente o motivo da migração da família para Rubiataba. Estimulados pelo pai, John Walker, eles queriam cumprir o chamado para o Brasil. Começaram obedecendo ao mais simples e, paradoxalmente, mais difícil dos mandamentos: evangelizar a cidade e os distritos próximos.

Pregação Nas Ruas, Igreja Nas Casas e Batismos No Córrego

Depois da chegada a Rubiataba, em janeiro de 1968, a família passou por uma porção de dificuldades naturais, inclusive por doenças, a ponto de quase todos os oito membros da família pegarem hepatite.

Mas, um ano depois, o ânimo dos irmãos retornou com a chegada de três famílias e mais uma viúva com os filhos, que haviam sido tocados pela palavra de John Walker em Belo Horizonte e Lagoa Santa, MG, onde a família morou pelos primeiros quatro anos no Brasil. A chegada desses reforços fortaleceu a equipe e possibilitou a formação de um núcleo de comunidade de crentes. Começaram a fazer reuniões nas casas.

Em 1970, Katharine e Christopher participaram de um encontro em Goiânia (do Movimento Jovens Livres, liderado pelo casal Ana Maria e Paulo Brasil) e voltaram cheios do fogo de Deus. John Walker, então, sentiu urgência para aproveitar as labaredas e ampliar o fogaréu. Com a família e os outros que vieram de Minas, passaram a pregar nas ruas e nas praças e a fazer visitas às residências. As conversões começaram a acontecer, e os batismos eram feitos em córregos próximos à cidade.

Filhos Caíam Nas Graças Do Povo ao Acolher Prostitutas e Alcoólatras

Em Rubiataba e região, os Walker eram conhecidos como os americanos. A população, a princípio desconfiada, passou a aceitá-los em pouco tempo. Quem conta é dona Eunice Maria Borges Pena, que foi evangelizada e ganha para Cristo naquela época:

Quando os americanos chegaram, em 1968, em pouco tempo caíram na graça do povo, porque eram humildes e apresentavam muitos frutos. O Roberto (Robert Walker, que mora hoje em Monte Mor, SP) e o Tomé (Thomas Walker, hoje bispo nos EUA da igreja brasileira Fonte da Vida em Nova York), casaram-se anos mais tarde com as brasileiras Geralda e Evandra respectivamente. Eles chegaram a acolher prostitutas e alcoólatras e a levá-los para sua casa. A cidade ficava admirada e passou a admirá-los também.

A conversão de dona Eunice ao evangelho pregado pelos americanos aconteceu em 1978, mas seu primeiro contato com eles, anos antes, foi marcante também. Ela relembra:

Eu morava em Bragolândia – distrito a 10 km de Rubiataba – e um grupo da igreja, incluindo o Cristóvão (Christopher), Roberto e Haroldo, foram de carroça pregar lá, no meio da rua. Havia uma festa religiosa na cidade, e chovia forte. Os religiosos não gostavam dos americanos e soltaram foguetes [bombinhas] debaixo da carroça. O cavalo [olhe o Mandão aí de novo], que estava amarrado à carroça, ficou assustado, arrebentou tudo e sumiu, deixando o Cristóvão e os outros irmãos ensopados, debaixo d’água. Lá de minha casa, eu ficava olhando; não tinha como chamá-los, mas fiquei com muita pena deles.

Passaram-se uns anos, e nos mudamos pra cidade de Rubiataba. Um dia, o Tomé bateu na minha porta. Ele fazia visitas de casa em casa, anunciando o Evangelho. Lembro até que contei para eles a história de Bragolândia e fiquei muito satisfeita com a visita.

Depois de algum tempo, comecei a ir à casa de uma irmã da igreja para ler a Bíblia com ela. Eu já tinha os meus seis filhos e queria aprender a Palavra de Deus.

Um dia, acabei indo para uma reunião. Que lugar mais abençoado: era um salão pequeno, só quatro paredes, muito simples, de cimento vermelho no piso. Tinha três degraus pra gente subir e, quando você chegava ao primeiro degrau, já sentia a presença de Deus. Só que eu não sabia que era a presença de Deus. Sentia algo diferente, mas só depois compreendi que era Deus.

Tinha reuniões que duravam quatro horas, e ninguém dava um pio dentro do salão porque o “seo” João não aceitava. Ele era muito radical, mas a gente amava aquele seo João. Ao final das quatro horas, a gente achava ruim porque tinha terminado. Acho que vivemos ali um pouquinho do Céu aqui na Terra.

Essa família foi uma bênção na minha vida, na vida dos meus filhos e dos meus netos. O que aprendi com eles, passei para os meus filhos e, agora, estou passando para os meus treze netos.

Um dos seis filhos de dona Eunice é o Clésio Pena. A exemplo de dona Eunice e outros, ele experimentou o que podemos chamar de Avivamento em Rubiataba. Clésio mora hoje com a esposa Rosied e os três filhos em Araras, SP. Ele faz parte do conselho editorial do ministério Impacto. Leia seu testemunho em “Depoimentos”.

Na Primeira Impressão, a Diferença Entre a Lei e a Graça

Por volta de 1971, o patriarca John Walker passou a dar estudos bíblicos a vários interessados às terças e quintas-feiras à noite. Não havia um prédio para a igreja na época – e nem queriam que houvesse. As reuniões eram feitas no bairro de Rubiataba chamado Posto Fiscal, em casas simples, de famílias pobres, mas onde se reuniam pessoas com imensa sede da presença de Deus.

Harold Walker conta que, no decorrer desses estudos, seu pai começou a falar sobre Gálatas 3, ensinando a diferença entre Lei e Graça com argumentos que mostravam, por exemplo, que o Evangelho começou com Abraão e não com Jesus. A Palavra soava nova e viva.

Os filhos Katharine e Christopher anotavam tudo. A ideia de usar as anotações e formular estudos escritos para distribuir a alguns amigos e irmãos surgiu numa reunião de família (como quase todas as novas direções e mudanças). Afinal, a família sempre tivera certa veia jornalística e gostava de comunicação, lembra Harold Walker. O pai do seo João, como John Walker ficou conhecido, ganhara a vida como corretor de seguros na Califórnia, mas fora repórter no jornal da faculdade. Sua mãe, Imogene, era profunda apreciadora de cultura: música, ópera, filosofia e literatura. Sua esposa, a irmã Ruth, levada pelo Senhor em julho de 2008, era poetisa. Seus tocantes poemas foram reunidos num livro artesanal, em inglês, intitulado From my Pink Cushion (Da minha almofada cor-de-rosa).

John Walker tinha uma formação eclética: estudara em faculdades prestigiadas nos Estados Unidos, como St John’s, Stanford e Berkeley. Após sua conversão a Cristo, também nos EUA e ainda jovem, recebera forte influência de pessoas com ênfases e vertentes diversificadas, como John Manchester (seu mentor inicial), John Myers, William Branham, Watchman Nee, Witness Lee e outros. Participou, ainda, do ministério do jornal Herald of His Coming (O Arauto da Sua Vinda), publicado até hoje em vários países, inclusive no Brasil, tendo Christopher Walker à frente.

“Meu pai gerava a palavra, mas não sabia bem o que fazer com ela, e os filhos o completaram nisto”, lembra Harold.

De acordo com anotações no diário de dona Ruth Walker, no dia 31 de março de 1972, Katharine e Christopher mimeografaram (num mimeógrafo a álcool, que produzia aquelas cópias roxas) a primeira mensagem sobre Lei e Graça, que seria depois enviada pelos correios para conhecidos e amigos. Este dia pode, portanto, ser considerado como o do início do ministério de literatura da família Walker. Depois vieram outras folhas, sempre grampeadas no alto, à esquerda, também mimeografadas, com títulos diversos, dentre os quais, A Igreja Verdadeira e A Igreja Falsa e a primeira versão de O Segredo da Igreja Gloriosa.

A repercussão positiva levou a família a imprimir O Segredo da Igreja Gloriosa, de John Walker, numa gráfica de Goiânia, em outubro de 1973. Mas a empreitada revelou-se cara, o que os levou a produzir os livretos posteriores de forma artesanal. Paternidade, de Derek Prince, veio a seguir e foi impresso em setembro de 1975. Impresso é modo de dizer, claro: o texto era datilografado numa máquina de escrever Remington azul clara e reproduzido num mimeógrafo a tinta.

Na hora da encadernação, perceberam que não poderiam usar um grampeador industrial porque a capa do livreto, feita em papel A4 simples, se desprenderia dos grampos com facilidade. Enquanto discutiam em família o que fazer, os olhos azuis e criativos de dona Ruth – quem diria – viram a solução. Para já demonstrá-la, pegou um livreto e o costurou na dobra, com sua máquina de costura doméstica. A ideia funcionou e virou técnica de acabamento da nova editora.

A partir daí, veio o best-seller A Patrola de Deus, cuja primeira edição foi feita em fevereiro de 1976 nos Estados Unidos, num linotipo, pelo casal Al e Donna Adan. Como não tinham uma máquina com acentos em português, estes foram inseridos à mão, dando um aspecto bem artesanal ao resultado final. Logo em seguida, em março do mesmo ano, saiu o livreto artesanal Procuram-se Sacerdotes.

O auge do ministério aconteceu de 1980 a 1985. Nesse período, muitos livretos e apostilas foram publicados e diversos seminários foram realizados (veja mais na Entrevista de Harold Walker e Christopher Walker e na matéria “Depoimentos”).

Do Centro Geográfico ao Demográfico. No Meio de Tantos… e Sós

No início de 1986, John e Harold decidiram mudar-se para Jundiaí, SP. “Saímos do centro geográfico do Brasil para irmos ao centro demográfico”, lembrou John Walker na página 75 do seu livro Minha Jornada Espiritual (livro que é fonte de várias informações deste artigo e que relata muitos aspectos da história da família Walker de forma bem mais completa). “Nossa ideia era encontrar, em São Paulo, um grupo de homens com sede da Palavra.” Porém, as coisas não aconteceram como esperavam, e muitas dificuldades surgiram. Várias tentativas de levar a palavra recebida a uma nova dimensão na prática falharam, e, ao mesmo tempo, a unidade ministerial dentro da família como um todo se desmoronou. Estavam no meio de tantos… e nunca haviam se sentido tão sós. A família acabou espalhando-se, mas o tempo confirmou aquilo em que os crentes genuínos creem: que Deus corrige percursos.

De Jundiaí, Harold mudou-se em 1996 com a esposa Ester e os três filhos para Americana, SP, e ali conviveu um tempo com seu irmão Christopher, que, depois de casado, fora para lá em 1987 e estava dirigindo uma escola de inglês. Juntamente com eles, foram as caixas de literatura, que ficaram amontoadas numa sala fechada ao lado da escola.

Jornal O Arauto da Sua Vinda Manteve a Coluna Erguida

Nesse período, de 1986 até meados da década de 1990, houve quem pensasse que o ministério de literatura houvesse terminado. Ainda que muitos na igreja brasileira o tivessem esquecido, permaneceu um remanescente: o jornal O Arauto da Sua Vinda, versão em português do Herald of His Coming, fundado em 1941, em Los Angeles, com linha editorial voltada à convocação para oração, avivamento e preparação para a vinda de Cristo. O jornal circula até hoje, não só nos países de língua inglesa, mas também em muitos outros ao redor do mundo.

“Algo novo começou naquela época que se tornou, até hoje, uma das colunas do ministério”, fala Christopher a respeito do Arauto. O jornal já havia sido editado por alguns anos no Brasil, inicialmente sob a responsabilidade do Pr. Enéas Tognini, nos anos 70, e, depois, de outras pessoas, mas, na época, não estava mais sendo publicado. Existia um vínculo antigo da família com o ministério, já que John Walker trabalhou durante cinco anos no jornal com os fundadores (W. C. Moore e sua esposa Sarah) em Los Angeles, de 1956 a 1960.

Lois Stucky, que passou a ser uma das responsáveis pelo Herald nos EUA depois do falecimento dos fundadores e que conhecia John da época em que ele estivera envolvido no ministério, escreveu perguntando se ele sabia de alguém que pudesse dar continuidade à publicação do jornal. John passou a informação para Christopher, e ele aceitou o desafio. Pouco depois, o editor Elmer Klassen, que por muitos anos fora responsável pela publicação do jornal em vários idiomas europeus, veio ao Brasil para acertar os detalhes com Christopher.

Foi assim que, a partir de 1993, O Arauto da Sua Vinda passou a ser editado no Brasil sob a responsabilidade da família Walker. Até hoje, é distribuído de graça a cada três meses (em média) a aproximadamente 8 mil leitores, sendo mantido exclusivamente por ofertas voluntárias. Seus leitores (dentre os quais me coloco) o consideram de valor inestimável.

Impacto Nas Raízes

Em setembro de 1998, nasceu a revista Impacto, como sucessora da revista Lead, editada pelos pastores Mateus Ferraz de Campos e Cyllas Marins, de Americana. Diante de algumas dificuldades que a revista Lead estava enfrentando, surgiu, numa conversa entre Mateus e Harold, a ideia de uma nova revista. Outros homens com dom de escrever foram convidados e agregados ao conselho editorial e, hoje, a Impacto reflete uma diversidade eclética de pensamentos, origens e experiências. Como sugere o próprio nome, o objetivo da publicação é oferecer matérias e artigos que causem impacto, não no sentido sensacionalista, mas no intuito de levar os leitores a reexaminar suas convicções pessoais e espirituais e não simplesmente de adotar conceitos promulgados por tradições ou lideranças. A ideia é não recuar diante de temas complexos ou polêmicos, mas discutir os assuntos de tal forma que o próprio leitor chegue a uma conclusão pessoal, fundamentada na Palavra. A missão é ser a revista que faz pensar. Ao mesmo tempo, representa a continuidade de um ministério de 40 anos, de toda uma geração.

Luiz Montanini faz parte do Conselho Editorial da revista Impacto. Casado, tem três filhos, jornalista e um dos pastores numa comunidade em Valinhos, SP.

 

Fonte: http://www.revistaimpacto.com.br/impacto-profundo

Amantes de si mesmo


“Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.” 2  Timóteo 3:2

 

A bíblia sempre nos surpreende pela sua profundidade e atualidade; quando a abrimos é como se estivéssemos lendo as últimas notícias do dia. Isso acontece por que a palavra de Deus é eterna; ela expressa Cristo, o Verbo de Deus que se fez carne.

No texto acima citado Paulo lembra a Timóteo que nos últimos dias sobreviriam tempos trabalhosos e difíceis. Uma das razões disso é que os homens, (e as mulheres também) buscarão seus próprios interesses, sem importar-se em absoluto com o seu próximo. É o que temos visto em nossos dias – homens e mulheres engajados em tirar o máximo da vida em proveito de si próprio.

  

Este padrão de vida em que a sociedade atual vive, faz com que o mundo se torne cada vez mais anárquico. Todos querem os seus direitos assegurados, sem, contudo atentar para os seus deveres. Infelizmente isso tem contaminado também a Igreja, razão porque Paulo escreve a Timóteo, exortando-o a permanecer naquilo em que ele foi instruído (2 Tm 3:14). Deus nos chama para vivermos conforme o ensino de Cristo, que quando esteve nesta terra não buscou seus próprios interesses. Ele mostrou que melhor é dar do que receber.

Que o Senhor nos ajude a viver como ele viveu, fazendo diferença na sociedade em que vivemos, sendo sal da terra e luz do mundo.

 

Lorimar

Quando Todos Os Recursos Falham

Posted: 28 Apr 2011 04:50 AM PDT

última devocional de David Wilkerson postada no site de seu ministério, ontem, 27 de abril, quando o Senhor levou esse servo para si, falecido num acidente de carro.

Mas como ele mesmo escreveu nessa devocional: “Verás que tudo era parte de meu plano. Não foi um acidente” O Senhor seja louvado!

por David Wilkerson

Crer quando todos os recursos fracassam agrada muitíssimo a Deus e é altamente aceito por ele. Jesus disse a Tomé “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.” João 20:29
Bem aventurados os que crêem quando não existe evidência de uma resposta a sua oração. Bem aventurados aqueles que confiam mais além da esperança quando todos os meios fracassaram.

Alguém chegou a um lugar de desespero, ao final da esperança e ao término de todo recurso. Um ser querido enfrenta a morte, e os médicos não dão esperança. A morte parece inevitável. A esperança se foi. Orou pelo milagre, porem, esse não aconteceu.
É nesse momento quando as legiões de Satanás se dirigem a atacar sua mente com medo, ira e perguntas opressivas como “Onde está teu Deus? Você orou até não lhe restaram lágrimas, jejuou, permaneceu nas promessas e confiou” Pensamentos blasfemos penetraram em sua mente: “A oração falhou, a fé falhou. Não vou abandonar a Deus, porem não confiarei Nele nunca mais. Não vale a pena!” Até mesmo perguntas sobre a existência de Deus acometem sua mente!

Tudo isso foi dispositivos que Satanás empregou durante séculos. Alguns dos homens e mulheres mais piedosos de todas as eras viveram tais ataques demoníacos.Para aqueles que passam pelo vale da sombra da morte, ouçam essas palavras: O pranto durará algumas tenebrosas e terríveis noites, mas em meio a essa escuridão logo se ouvirá o sussurro do Pai: “Eu estou contigo. Nesse momento não posso lhe dizer por que, mas um dia tudo terá sentido. Verás que tudo era parte de meu plano. Não foi um acidente. Não foi um fracasso da tua parte. Agarre-se com força. Deixe Eu te abraçar nessa hora de dor”

Amado, Deus nunca deixou de atuar em bondade e amor. Quando todos os recursos falham, Seu amor prevalece: Aferre-se a sua fé. Permaneça firme em Sua Palavra. Não há outra esperança nesse mundo.

Fonte: worldchallenge.org
tradução: Armando Marcos

A Democracia do Islã

Enquanto o mundo aplaude os levantes anti-ditadura nos países do norte da África e Oriente Médio, alguns poucos analistas internacionais olham com cautela para estes orquestrados movimentos “democráticos” nas nações pertencentes à Liga Árabe, onde, ao que tudo indica, quem dita as regras é a lei Islâmica.
Para o escritor e analista político americano, George Friedman, em seu livro, A Próxima Década, os levantes fazem parte de uma estratégia apoiada pelas mesquitas e líderes radicais árabes, incluindo a rede Al Qaida. Para o autor os movimentos visam manter e quando necessário, reimplantar, as regras de conduta e fé islâmica. O objetivo é mudar as estruturas de governo vigentes, que na atualidade, expressam demasiada abertura com o ocidente – diga-se, Estados Unidos e Europa – que estão exercendo demasiada influência sobre a milenar cultura local.
Tomando-se como exemplo o Egito. Além de ser o país mais populoso da região, é também o que exerce a maior influência cultural principalmente no que diz respeito à televisão, cinema, novelas, produção literária e musical. O que é produzido no Cairo é certamente transmitido para todo o Oriente Médio, onde há uma extrema carência de produção cultural e de conteúdo como um todo, fazendo com que o sotaque egípcio seja sinônimo da linguagem televisiva Árabe. Para os padrões da região, o Egito é um país de ponta também na área da educação, onde salienta-se na medicina e na indústria química em geral assim como também na pesquisa. Engenheiros e médicos egípcios são encontrados em todos os cantos do Golfo Pérsico, sendo também o país árabe com maior número de patentes registradas. É ainda na terra dos Faraós que se concentra a maior população cristã da região, com quase 10 milhões de fiéis. Ali estão as sedes das maiores redes de transmissão de programas evangélicos, assim como as maiores Igrejas, que já começam sentir a pressão das novas mudanças.
Mas se engana quem pensa que as atuais mudanças tem muito a ver com a democracia que conhecemos. A democracia que estamos assistindo ainda é um movimento prioritariamente teocrático. Pois está totalmente alinhado com as tendências totalitárias do Islã que já são instituídas na região. Nos dias seguintes à renúncia de Mubarak, uma das primeiras atitudes da nova junta militar, “pró democracia” foi abrir o canal de Suez, hoje controlado pelo Egito, aos navios de guerra Iranianos, declarados desafetos do regime de Mubarak e dos Estados Unidos. O fato mostra uma oposição visível às posições ocidentais com respeito ao país dos Aiatolás. Da mesma forma, esta mesma junta, colocou imediatamente, limites à imprensa internacional, a qual foi usada anteriormente para divulgar o levante popular, agora não é mais tão bem vinda para acompanhar a transição. É fácil ver que qualquer mudança política no Egito trará uma releitura do tratado de paz com Israel, o qual poderá mexer com o balanço de poder na região.
Outro foco de “apelo popular democrático” contra ditaduras é o Qatar. Para quem não sabe, neste pequeno país do Golfo Pérsico, está localizada a emissora de notícias e programação jornalística de maior credibilidade da região, a Al Jazira, que ganhou notoriedade por transmitir de maneira imparcial, os recados oficiais de Bin Laden e sua Al Qaida. Porém recentemente a emissora e o governo do Qatar tem sofrido pressões e atentados por ser a emissora considerada demasiadamente pró-ocidente, e não ceder às imposições midiáticas dos radicais. O Qatar é também um lugar onde o cristianismo tem relativa liberdade, assim como no Egito.
Já na Líbia, o caso é diferente. Por muitos anos o ditador Muamar Kadafi foi tido como um inimigo do ocidente, que acolheu em seu país todo tipo de mercenário antiamericano ou terroristas conhecidos, como os que explodiram o avião da Pan American sobre a Escócia na década de 80. Porém, nos últimos anos, o ditador amenizou o seu discurso e voltou-se para a Europa e EUA, chamando a atenção até mesmo do Brasil, onde o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em visita, promovendo acordos políticos e comerciais, que geraram investimentos. Graças à sua reaproximacão com a Europa e América Latina, Kadafi, obteve um maciço aporte econômico internacional, sem precedentes na história de um país norte africano, que trouxe para a Líbia, modernidade e uma certa prosperidade. Kadafi também abriu seu país à cultura internacional, ao permitir o ingresso da Internet, da TV a cabo e outras modernidades na área da comunicação, atípicas nos países árabes. O ditador passou a frequentar a cena política internacional, e gradativamente a Líbia tornou-se um crescente mercado de produtos, serviços e turismo, o que desagradou os setores radicais, que pediram sua retirada. Au não aceitar como fez Mubarak no Egito, o país mergulhou na atual crise que envolve as forças da OTAN.
Já o governo de Ankara, na Turquia, tomou medidas preventivas. Ao ver o movimento pro Islã tomando corpo na região, o primeiro ministro Recep Tayyip Erdogan alinhou sua política na direção dos interesses que ressaltavam os valores do Alcorão. Com muita rapidez, apresentou-se em público com a esposa usando o véu típico sobre a cabeça, a muito eliminado no país, e tornou-se junto com o brasileiro Lula da Silva um interlocutor do iraniano Ahmadenejad. As posições foram mal vistas no cenário internacional mas deixaram o país Turco fora da agenda de protestos, desde é claro, que o premiê mantenha suas posições pró islâmicas. O contrário do que tem acontecido na vizinha Síria, onde o presidente Assad, reeleito recentemente com 94 por cento de intenções de voto, insiste em manter a linha dura dos outros ditadores árabes, e está levando a pacata Damasco a ser a bola da vez dos levantes “democráticos”.
Estes são apenas alguns dos exemplos que podem ser citados para ilustrar o quanto estes movimentos são factóides e pouco genuínos, no que se refere à autenticidade democrática.Procuram usar a mídia internacional para obtenção de apoio, mas ao final nada tem a ver com o que conclamam, mas com uma agenda pré determinada para minimizar a influência internacional no mundo árabe. É uma busca por proteção e continuidade do poderio islâmico, e os líderes mais radicais falam abertamente em buscar um califato central e a Jihad, que é a guerra santa.
No caso do Egito foi clara a influência direta de uma conhecida entidade política radical chamada Irmandade Muçulmana.
A Irmandade é uma entidade que pode ser considerada quase um baluarte do pensamento tradicional islâmico, que tem ajudado a ditar as regras dos direcionamentos espirituais da Comunidade das Nações Árabes, e desde 1928 mantem-se próxima ao poder. Através de legisladores radicais a Irmandade foi galgando postos nos governos, para então impor as mesmas regras comuns em todos os países árabes. Tais regras visam limitar os poderes e influências das minorias, principalmente cristãs.
Durante o Império Otomano, centralizado em Istambul, na Turquia, a Irmandade tinha seus poderes limitados, porém, durante a vigência do Império Britânico no Oriente Médio, já no século 20, a facção fortaleceu-se como partido e esteve por trás de muitas negociações que influenciaram a divisão da região em pequenas nações e principados, e foi aumentando sua influência nos governos árabes. Seu objetivo não é tomar o poder, como falou um de seus porta vozes recentemente, mas é alcançar pelo menos 30 por cento das cadeiras legislativas, podendo assim ditar uma agenda progressiva, incluindo a exportação das idéias ideológicas do Islã para todo o mundo, até mesmo ao Brasil.
No site internacional da Irmandade, pode-se ver com clareza o quanto a entidade procura mostrar sua influência na região, e chama para si o atual movimento pró-democracia. Um de seus principais líderes, o xeique egípcio Yusuf Al Karadawi, faz afirmações polêmicas sobre vários aspectos políticos e sociais, publicados em várias revistas pelo mundo a fora, inclusive na brasileira, Veja. O líder faz declarações,que fariam os democratas mais liberais tremerem só ao ler, pois versa sobre a continuidade dos costumes islâmicos como prioridade de sua facção, mostrando dessa forma que a democracia proposta pretende mudar apenas o mandatário, mas jamais o regime.
Todo o processo atual, cujo agendamento da mídia internacional hoje se concentra apenas na Líbia, aonde a guerra já foi deflagrada, e aonde o mandatário insiste em manter-se no poder. O grande questionamento que poucos fazem é: Quem vai governar?
A mídia fala de um processo que não a não ser que haja uma forte sustentação internacional não tem como subsistir pela total ausência de liderança. O Egito com um pouco mais de organização ainda tem uma junta militar que pode dar algum norte, mas em países como Líbia e mais recentemente a Síria os governos se reelegiam com mais de 90 por cento de intenção de votos. Não existe quem tenha sequer votado alguma vez para eleger um mandatário. Infelizmente, para quem almeja mudanças, o processo de transição já está nas mãos dos radicais. Nem ao menos se esboça que um Partido Democrático esteja se mobilizando juntamente com algum Partido Social Democrata ou coisa assim, em prol de um processo de eleição da maneira que conhecemos. A junta militar que assumiu no Egito,por exemplo apenas mantém as instituições e segue a agenda islâmica até que um novo mandatário seja estabelecido para ficar por mais 30 anos, ou o quanto for conveniente.
Ao ver-se o exemplo da mais nova nação “democrática” do Oriente Médio, o Iraque, o caos é crescente. O governo é fictício e está à beira de um colapso total, o que por certo acontecerá com a retirada das forças aliadas, para não falar em uma guerra civil.As alardeadas eleições iraquianas são totalmente manipuladas pelos radicais xiítas, maioria absoluta no país, que impõe sua lei aos olhos inertes dos aliados. As vozes das mesquitas ditam as regras do terror naquele país, que já ceifou quase cinco mil vidas dos aliados e mais de 100 mil iraquianos. As facções insufladas pelo Iran e por outros grupos radicais, como o libanês Hesbolah, conclamam um Oriente Médio sem americanos, sem cristãos e também sem Israel.
Para as minorias que habitam a região, principalmente os cristãos, para não falar de curdos, assírios, e até mesmo sunitas, o tempo é de incerteza. Muito do que lhes dava segurança, nos governos anteriores foi gradativamente ruindo. Aonde havia relativa estabilidade, como nos países já citados, a incerteza tomou conta, e a vida tornou-se inviável elevando a níveis insustentáveis o fluxo migratório em toda a região, principalmente junto às zonas de maior conflito.
O que se espera é que a mídia internacional possa pintar o quadro correto, e assim possa pressionar os governos ocidentais para que estes continuem dando a devida atenção aos fatos orquestrados, que vão derrubar ditaduras inconvenientes, mas que dificilmente trarão mudanças significantes, pelo contrário; colocarão no poder, nomes absolutamente desconhecidos que dificilmente vão implantar a democracia, e os direitos humanos, mas terão os de sua fé religiosa como prioridade.
Tudo isto, além da instabilidade econômica na região, que sem dúvida alguma afeta o mercado internacional, dá continuidade a êxodos populacionais e a morte de inocentes,em médio prazo vai entregar a região ao radicalismo, esquecendo, assim, a tão sonhada democracia, que com raras exceções ainda será por muito tempo uma utopia no conturbado Oriente Médio.
De Istambul Asaph Borba – 24/04/2011

Fontes – http://www.ikhwanweb.com – Irmandade Muçulmana
http://www.aljazeera.com
Revista Veja – Editora Abril