Arquivo da categoria: Casamento

A audácia de manter a família viva

Na narrativa bíblica, houve muitos episódios em que a ordem era a de matar as crianças para destruir o plano de Deus. Será que não estamos fazendo o mesmo hoje em dia?

por Clésio Pena

Carreira, cuidados com o corpo, desobediência, pais ausentes: a lista de ameaças é muito maior do que as do tempo de Faraó

Deus tem um plano eterno. E ele decidiu que a família seria o canal para a realização do seu propósito. Tudo começou com a família (a de Adão, a de Noé, a de Abraão, depois a de José, o carpinteiro), e tudo terminará num esplendoroso e barulhento casamento de Jesus com sua noiva. Por que será que Deus, em toda a sua sabedoria, conhecedor de todas as soluções, resolveu que assim seria? Às vezes, você deve pensar que Deus errou nos seus cálculos. Afinal, tudo o que está ligado à preservação da família, seus conceitos e princípios, parece cada vez mais ultrapassado e desatualizado. Se realmente o canal para tudo é a família, então só resta a Deus providenciar uma nova solução. Mero engano.

Não sei se você já percebeu, mas existe um trabalho enorme para destruir a família, as famílias, a sua família. De todas as leis que são votadas e aprovadas, nenhuma delas é para preservar, cuidar e fortalecer a família conforme planejada pelo Criador. Há o plano eterno de Deus, e há forças contrárias a ele. Muitos dos nossos representantes no governo estão se aliando às forças contrárias, consciente ou inconscientemente. Existe uma razão para isso? Claro que sim. A mesma que levou Caim a matar seu irmão e que motivou Faraó e Herodes a cometer infanticídio.

Devo então pensar: estou assassinando meu irmão? Já matei alguns meninos para que o nome de Jesus não fosse proclamado, mas que o meu prevalecesse? Nos dias de hoje, o que seria “assassinar Abel”, “matar as crianças de até dois anos”? Note que no tempo de Moisés muitos pais levavam seus filhos para o túmulo, pois era essa a ordem do faraó. É a lei… Pronto. Porém, uma família (note que teve a participação e a sabedoria da irmã de Moisés na historia) disse “não” a um decreto soberano, àquilo que se tornara uma rotina inevitável. Que audácia! José e Maria também não ficaram para ver aonde aquela situação poderia chegar. Retiraram-se para preservar o menino.

Não é difícil perceber que, em todas as épocas, existiram forças contrárias à família. E hoje não é diferente. Não temos esse privilégio de viver em família tudo o que foi projetado por Deus sem esbarrar em forças contrárias. A lista, com certeza, ultrapassa a lei que Faraó decretou. São pais alheios, ausentes, mães que passam mais tempo cuidando do próprio corpo (academia, cabeleireiro…) do que da saúde física e espiritual dos filhos, filhos desobedientes aos pais, atrevidos, inconsequentes…

Temos vários decretos hoje: prazeres momentâneos, a obrigação de ganhar dinheiro, a priorização da carreira, de estar sempre atualizado (com notícias, pessoas, tecnologia…). Nada disso em si é errado ou pecado. Porém, quando essas coisas (esses decretos modernos) ferem a vida familiar saudável, com certeza são um grande problema.

Quero que você me ajude a repensar nossa conduta dentro da sociedade contemporânea. Qual é o meu papel dentro da minha família? Tenho desempenhado a tarefa que Deus me deu de forma exemplar, de forma que os meus familiares sintam o amor de Deus? Minhas palavras e atitudes dentro de casa têm exalado as características de Jesus? Dou mais importância aos decretos que são contra a família, ou tenho tentado preservar a vida desse frágil e ameaçado menino?

Fonte: https://www.revistaimpacto.com.br/a-audacia-de-manter-a-familia-viva

Anúncios

Escolhendo um Cônjuge

Por: Stephen Kaung

A família não é uma ideia humana – é um conceito divino. Faz parte integral do propósito de Deus na criação e, também, na redenção. De acordo com Atos 16.31, é a unidade básica para a salvação:
“Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”.

Sendo a família algo tão importante, sua formação deve ser tratada como um assunto muito sério. Se quisermos ver o propósito de Deus cumprido na família, se quisermos ver a glória de Deus manifesta na família, devemos ser cuidadosos, diante do Senhor ao formarmos uma família.

Isso é muito importante, pois a escolha do cônjuge não afetará somente o futuro de sua família, mas também a segunda geração e, talvez, ainda outras. Pode influenciar a Igreja, a sociedade e, assim, todo o mundo; mais do que isso, pode afetar o propósito e a glória de Deus.
Há uma história muito bonita na Bíblia a respeito de como escolher um cônjuge, que gostaríamos de usar como ilustração. Encontra-se em Gênesis 24.

O Casamento se Origina em Deus

Em primeiro lugar, descobrimos que foi Abraão quem iniciou a busca pela esposa para Isaque. Abraão, nessa história, representa Deus. Deus é o originador do casamento, é o originador da família. No início, quando criou o homem, ele disse: “Não é bom que o homem esteja só. Far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2.18). Em relação a tudo o que diz respeito ao casamento, à união entre duas pessoas, precisamos reconhecer que a iniciativa deve vir de Deus.

Física e psicologicamente, quando o jovem chega a determinado ponto, ele começa a sentir necessidade de uma companheira, de uma família. Diante disso, ele pode pensar: “Essa é uma necessidade humana. Por isso, devo sair por aí e tentar supri-la”. Como cristão, porém, você deve lembrar-se de uma coisa: essa necessidade vem de Deus. Ele o criou de maneira tal que sinta essa falta.

Como é algo que vem de Deus, a primeira coisa a fazer não é tentar supri-la por conta própria, mas voltar-se para ele e dizer-lhe: “Senhor, tu colocaste essa necessidade dentro em mim; agora, tu deves supri-la. O Senhor vai encontrar o cônjuge certo para mim. Estou esperando que tu escolhas meu cônjuge”.

Em certo sentido, somos nós que escolhemos; mas em outro, não. É Deus quem escolhe nosso cônjuge. Por isso, não pense que é embaraçoso levar tal assunto a ele. Como crentes, gostamos de levar cada problema que temos a Deus; essa, porém, dentre todas as nossas necessidades, é uma que afetará toda a nossa vida.

Vá à Minha Terra Natal

Abraão chamou seu mordomo e o fez jurar, dizendo: “Não tome mulher para meu filho dentre as mulheres dos cananeus onde eu habito agora. Volte à terra da minha parentela e tome de lá uma esposa para meu filho”. Aqui descobrimos o segundo princípio.

O servo de Abraão representa o Espírito Santo. O propósito é de Deus, e o Espírito Santo é quem opera. Se encomendar esse assunto a Deus, você descobrirá que o Espírito entrará em ação. Porém, se não o encomendar ao Pai Celestial, o Espírito Santo não terá a oportunidade de trabalhar em seu favor. Nesse caso, você terá de trabalhar por si mesmo. Quantos jovens estão se matando de trabalhar nesse assunto! Quão facilmente são enganados; quão facilmente caem em uma armadilha e não conseguem livrar-se dela! Mas, se levarmos esse assunto ao Pai Celestial, o Espírito Santo agirá por nós.

O servo, então, começou a agir. Havia um princípio claro: “Não tome esposa dentre as mulheres dos cananeus, mas volte à minha terra natal”. Deus nos deu um limite, uma esfera de ação. Dentro desta esfera, o Espírito Santo procurará um cônjuge para você. Se você tentar sair desse limite, o Espírito Santo não estará lá trabalhando em seu favor. O limite é: vá para minha terra natal, entre a minha parentela. Espiritualmente falando, significa que Deus estabeleceu um limite para cada pessoa dentro do qual, pelo Espírito Santo, elas podem buscar um cônjuge: entre a parentela, entre crentes, entre aqueles que são da família de Deus.

Não Vos Ponhais Em Jugo Desigual Com os Incrédulos

Em 2 Coríntios 6, Paulo diz: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos”. Nós, crentes, somos exortados a não nos prendermos a um jugo desigual com os incrédulos, porque, numa família, num casamento, marido e mulher são colocados juntos por toda a vida. A seguir, ele dá várias razões para isso, dentre as quais queremos destacar uma.

“Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente…” No que diz respeito a nosso propósito de vida, somos o templo de Deus. Estamos aqui para permitir que Deus viva em nós e para servi-lo. Mas, no que diz respeito às pessoas deste mundo, elas servem aos ídolos, a outros interesses e senhores. Não há concordância.

Se você está se exercitando nesse assunto de encontrar seu cônjuge, não vá às filhas dos cananeus. Em outras palavras, não encontre seu cônjuge entre pessoas que não servem ao Senhor, mas entre aqueles que são da família de Deus.

Alguns dirão: “Bem, se eu tentar encontrar um cônjuge entre os incrédulos, eu posso levá-lo a Jesus”. Um dia, uma irmã foi até Spurgeon, aquele grande pregador, e perguntou-lhe: “Qual é o problema em eu me casar com um incrédulo? Eu poderia levá-lo ao Senhor. Isso não é bom?”

Spurgeon disse: “Tudo bem, vamos fazer uma coisa”. Havia uma mesa na casa. Ele pediu à jovem irmã para subir na mesa. Ela não sabia por que ele queria que fizesse aquilo, mas atendeu ao pedido e ficou de pé sobre a mesa. Então, Spurgeon estendeu a mão e disse-lhe: “Me puxe para cima”. No entanto, a irmã é que foi puxada para baixo. Ela não pôde puxar Spurgeon para cima da mesa.

Então, Spurgeon falou: “Se você quiser se casar com um incrédulo, isso é o que acontecerá. Você pensa que pode puxá-lo para cima, mas você será puxada para baixo”.

Muitas famílias terminaram em grandes tragédias porque, logo no início, aquele que era crente menosprezou a Palavra de Deus. O Espírito Santo sempre opera segundo a orientação da Palavra. Não devemos esperar que ele trabalhe por nós em desacordo com o que Deus afirma.

Contudo, se obedecemos a Deus, podemos contar com sua operação em nosso favor.

O Lugar da Graça

Observe como o servo de Abraão foi encontrar a companheira para Isaque. Mesmo na cidade de Naor, havia muitas mulheres, muitas virgens que ainda não eram casadas. O servo era um estrangeiro naquela cidade. Como iria encontrar uma mulher para o filho de seu senhor ali?

Naqueles dias, normalmente havia um poço fora da cidade ou na praça. Era o lugar para onde as mulheres iam com seus cântaros com a intenção de tirar água e levar para casa. Assim, quando o servo veio à cidade de Naor, ele sabia aonde ir. Ele foi ao poço, fez com que os camelos se ajoelhassem e, então, começou a orar.

O que o poço representa? Nas Escrituras, poço sempre indica graça. Do poço, vem água viva, o que representa o Espírito da vida. Isso é graça.

Assim, aonde o servo deve ir? Em primeiro lugar, à cidade de Naor; em segundo lugar, ao poço. Espiritualmente falando, podemos dizer que o poço é onde os crentes se reúnem, em torno do Senhor, onde podem receber a graça de Deus. É para esse lugar que você deve ir para encontrar um cônjuge. Você não deve ir a uma danceteria, a um cinema, a uma pista de corridas, a um comício político ou a uma reunião social para encontrar seu cônjuge, mas à igreja, ao local onde o povo de Deus vai buscar água, aonde vai buscar a vida de Deus. É nesse lugar que você encontrará seu(sua) companheiro(a) para a vida toda.

Se você está procurando um cônjuge, confie que o Espírito Santo o guiará e o conduzirá; porém, você precisa ir ao lugar certo. Não vá ao mundo para tentar encontrar um companheiro, vá ao povo de Deus. Lá, enquanto você busca água e aprende a servir juntamente com os santos, o Senhor lhe revelará quem é seu cônjuge. Apenas ore e confie isso ao Senhor.

Dois Extremos

Podemos tornar esse assunto de escolher um cônjuge muito espiritual ou meramente humano. Podemos ir para os dois extremos. Algumas pessoas o tornam completamente humano, deixando Deus de lado. Eles dizem: “Bem, tenho uma necessidade. É algo físico, algo que faz parte deste mundo. Sou eu que devo escolher um companheiro”. Então, eles vão em frente e tornam-se muito ativos, procurando um cônjuge. Vão a todo tipo de reunião social para ter mais oportunidades de escolher. Ficam muito envolvidos nesse assunto, mas nunca oram. Esse é um extremo.

Podemos ir, também, para o outro extremo e nos tornar muito espirituais — superespirituais, pseudoespirituais. Isto é, você confia o assunto ao Senhor e deixa tudo para ele. Com isso, você se assenta e fica muito passivo. Você nem mesmo coopera com o Espírito Santo. Isso é ser pseudoespiritual. Você sabe, em todas as coisas espirituais, precisamos ser passivamente ativos. É assim em todas as coisas espirituais. Seja lendo as Escrituras, seja fazendo outras coisas ou escolhendo um cônjuge, nossa atitude precisa ser sempre passivamente ativa. Isso significa que precisamos confiar esse assunto ao Senhor e estar alerta à direção do Espírito Santo, aprendendo a cooperar.

Caráter

O servo orou: “Quando as mulheres vierem pegar água, se eu disser: ‘Dá-me de beber’…” Lembre-se de que ele não tinha a intenção de perguntar a cada mulher. Ele poderia ficar lá perguntando a centenas de mulheres porque, provavelmente, centenas de mulheres iam ao poço pegar água. Se ele perguntasse a cada mulher, ficaria muito confuso. Ele simplesmente disse: “Senhor, quando as mulheres vierem, irei observá-las. Então, vou conversar com aquela que eu notar”.

Assim é que se escolhe o cônjuge. Por um lado, você confia a questão ao Senhor. Seu coração está aberto para ele. Você quer que ele escolha para você. Se você tem esse tipo de atitude e está orando, então comece a observar. Você não pede a qualquer um ou a todos, mas quando alguém vem e, de alguma forma, você sente que deve iniciar algo, nesse instante você pede.

Evidentemente, ao fazer isso, você levará em conta a aparência exterior. Embora a aparência exterior não seja tudo, ela revela mais do que muitos pensam. Quando o servo observava, ele avaliava diversos aspectos. Certamente, queria encontrar beleza, mas, em cada atitude, no modo dela de agir, ele descobriria muito a seu respeito. Se estivermos emocionalmente envolvidos, nos tornaremos cegos. Mas se pudermos ficar de lado e observar o que o Senhor fará, então tudo se resolverá.

E, de fato, Deus lhe respondeu rapidamente. “Eis que Rebeca veio”. Ela era muito bela e era uma virgem. Como o servo sabia? Ele não sabia.

Deus sabia. Ele apenas sabia que ela tinha boa aparência, mas, enquanto observava, o servo sentiu que havia um potencial ali. Havia mais em Rebeca do que apenas uma boa aparência. Algo mais foi revelado, talvez pelos seus modos, pelo seu jeito. Assim, quando ela tirou a água, o servo foi adiante e pediu a ela um pouco de água de seu cântaro para beber.

Observe o que Rebeca fez. Apressando-se, deitou o cântaro e disse: “Beba, e eu também darei de beber aos camelos”. Ela começou a pegar e despejar a água no bebedouro para que os camelos bebessem. O servo tinha dez camelos. Depois de os camelos terem atravessado o deserto, deviam estar muito sedentos. Para satisfazer a sede de dez camelos, a mulher teve de tirar muita água! Dar de beber a um homem velho é uma coisa, mas dar de beber a dez camelos é muito trabalho. Os camelos podem beber, beber e beber. Conseguem armazenar água para mais uma jornada distante.

Aqui você descobre que, a fim de encontrar uma esposa para Isaque, o servo estava olhando para algo além do físico. No que diz respeito ao físico, a mulher poderia ser de boa aparência. Além disso, porém, o servo estava em busca de caráter. Para uma mulher ser uma esposa, ela tem de ser compassiva, cuidadosa, generosa, amiga, hospitaleira, diligente. Essas marcas de caráter são muito, muito importantes. Para uma mulher dar de beber a um estrangeiro, isso é cuidado; mas sua compaixão e seu cuidado foram estendidos, não somente ao homem, mas também aos animais. Havia algo naquele caráter. Observe quão diligente ela era. Ela não estava tentando fazer o mínimo de trabalho possível. Ela não tinha medo de trabalhar. Era diligente e hospitaleira. Essa seria uma boa companheira para Isaque.

A segunda parte de Provérbios 31 é linda. Espero que todos os jovens solteiros a leiam muitas vezes. Lá, você descobrirá essa mulher cujo valor é tremendo. Que tipo de mulher ela é? Ela é diligente, cuidadosa, generosa. Ela abre os braços aos pobres e estende as mãos aos necessitados. Ela abre a boca com sabedoria, e a instrução fiel está em sua língua. Ela cuida da sua casa e não come o pão da preguiça. Seus filhos se levantam e a chamam de bem-aventurada. Seu marido também a louva dizendo: “Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas.

Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada”. Isso é caráter.

Aqui, então, você descobre que, na escolha de um cônjuge, não é apenas a beleza física que conta, mas a beleza interior, o caráter. Isso é muito, muito importante. Quer seja homem, quer seja mulher, certas marcas de caráter são importantes.

O Espírito de Adoração

Durante todo aquele tempo, o servo apenas ficou ali de pé e observou. Ele apenas observava como Deus trabalharia. Quando tudo terminou, ele pegou um pendente e duas pulseiras de ouro, deu-os à mulher e disse: “Qual é seu nome? De que família você vem? Há lugar para mim, meus servos e os camelos pousarmos?”

Rebeca disse ao servo que ela vinha da família de Abraão, de Naor, e que havia pousada em sua casa. Você sabe o que o servo fez? Ele se ajoelhou e adorou a Deus. O espírito daquele servo, por todo o capítulo, é o espírito de adoração.

Não faça desse assunto algo comum, que nada tenha a ver com adoração. Não. Se você confiar esse assunto ao Senhor, se esperar no Espírito Santo, se realmente andar em seus caminhos, você verá como o Espírito de Deus trabalhará e ficará apenas como alguém que observa. Isso extrairá de você adoração. A cada passo, produzirá adoração.

Quanto da nossa procura nos leva à adoração hoje? Mas isso é o que deveria acontecer. Todo o processo deveria ser uma questão de adoração, vendo Deus trabalhar em favor do seu próprio propósito. Oh, quão belo isso será!

Stephen Kaung é ministro da Palavra, conferencista e autor de vários livros. Trabalhou durante muitos anos na obra do Senhor ao lado de Watchman Nee, na China. Além de atuar em várias outras áreas do ministério, foi tradutor e publicador de muitos livros de Watchman Nee em inglês. Reside atualmente na Virgínia, EUA.

Este artigo foi adaptado de um capítulo do livro O Propósito de Deus Para a Família, Edições Tesouro Aberto, de Stephen Kaung.

Fonte: http://www.revistaimpacto.com.br/escolhendo-um-conjuge

Tomando posição em relação ao sexo e ao namoro

A VISÃO DE DEUS SOBRE O SEXO

Sexo é algo ruim? Não, o sexo em si não é sujo e nem errado. Deus criou-nos seres sexuais – masculinos e femininos. Nosso gênero é determinado no momento da concepção, e quando nascemos nossa anatomia sexual já está completa. Deus não condena o sexo, afinal foi criação dEle.

“Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste” (Sl 139.13,14)

“Pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graça, nada é recusável, porque pela palavra de Deus, e pela oração, tudo é santificado” (1 Tm 4.4,5).

Desde o início Deus tinha um plano perfeito para o casamento:

“Por isso deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2:24).

Unir significa estar colado um no outro. Quando duas pessoas se tornam uma só carne, ocorre uma ligação incrível.

QUAL O PROBLEMA ENTÃO?

Deus não condena o sexo; o que Ele condena é o sexo fora do contexto apropriado. Deus criou o sexo para o nosso prazer. Contudo a Bíblia condena a imoralidade sexual.

Temos as seguintes relações:

Esposo e Esposa – Uma só carne

Jesus e a Igreja – Um só corpo

A infidelidade e o pecado sexual vão contra o plano de Deus no tocante à pureza no casamento.

    Quando alguém se envolve sexualmente com outra pessoa que não seja o cônjuge, quer física ou mentalmente, está rompendo o compromisso estabelecido pelo plano de Deus. A imagem de sermos um com nosso cônjuge fica manchada.

    “Digno de honra entre todos seja o matrimônio; bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros”(Hb 13.4).

    Quando cometemos um pecado sexual alteramos a imagem da aliança de Deus com seu povo, da qual o casamento é uma figura. Cada pecado sexual que um filho de Deus comete mancha um pouco esta imagem.

      SEXO ANTES DO CASAMENTO

      Para o mundo de hoje é algo muito natural. O mundo valoriza a atração sexual e a idéia de ter compatibilidade com o parceiro. Mas o sexo pré-conjugal não é a forma estabelecida por Deus para escolha do futuro cônjuge. A aparência e a atração sexual talvez façam parte do que nos atrai para determinada pessoa. Contudo nenhum desses dois elementos pode manter o casal unido.

      FANTASIAS

      Muitos consideram as fantasias sexuais um prazer pessoal que não prejudica ninguém. Mas Deus quer que nos abstenhamos delas porque:

      Quando Jesus ensina sobre adultério, deixa claro que a imoralidade sexual, na mente, tem o mesmo peso da imoralidade sexual física.

        “Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela.” (Mt 5.27,28);

        A imoralidade sexual na mente pode levar-nos ao ato.

          “… cada um é tentado pela própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então a cobiça, depois de ter concedido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.” (Tg 1.14,15).

          Talvez achemos que nosso segredo está bem guardado, mas “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12.34). Aquilo que semeamos e alimentamos no coração, eventualmente nos levará à ação.

          A fantasia sexual nos leva a ver o sexo como algo impessoal e a desvalorizar as pessoas.

            PORTANTO…

            Devemos nos posicionar de acordo com o que Deus diz a respeito do sexo e aguardar nEle.

            “Confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade. Agrada-te do Senhor, e ele satisfará aos desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e o mais Ele fará” (Sl 37.3-5).

            Lembremos que é na mente que todo o processo começa. Sendo assim devemos levar “todo entendimento à obediência de Cristo” (2 Co 10:5), porque “embora andando na carne não militamos segundo a carne” (2 Co 10.3).

            Deus fica muito alegre quando encontra homens e mulheres no Corpo de Cristo que tomam a decisão de andar ao seu lado.

            Quando detestamos o pecado, não queremos ter parte com ele. A santidade e a obediência andam de mãos dadas. A obediência é a maior manifestação da santidade e do nosso amor por Jesus.

            “De tudo o que se tem ouvido, o resumo é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem.” (Ec. 12.13)

            NAMORO?

            Não encontramos na Bíblia nenhuma base para o chamado “namoro”, que, em nossa sociedade, se tornou o padrão de conduta para iniciar o relacionamento de um rapaz com uma moça. Os caminhos de Deus, como encontramos nas Escrituras, são muito diferentes. Não são os caminhos do mundo com padrões mais elevados. Os caminhos de Deus têm uma natureza diferente, outra essência.

            PROBLEMAS DO NAMORO

            É originado pela atração sexual, pela aparência física, pelo corpo. Exemplo de Sansão:

              “Desceu Sansão a Timnate; e vendo em Timnate uma mulher das filhas dos filisteus, subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, dizendo: Vi uma mulher em Timnate, das filhas dos filisteus; agora pois, tomai-ma por mulher” (Jz 14.1-2);

              Para muitos é como uma licença para certa permissividade física, o que resultará em defraudação de um para com o outro:

                “Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, não na paixão da comcupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus; ninguém iluda ou defraude nisso a seu irmão, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos. Porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação” (1Te 4.3-7);

                “A posse antecipada de uma herança, no fim não será abençoada” (Pv 20.21);

                Está enraizado no egoísmo, na auto-satisfação.

                  “Responderam-lhe, porém, seu pai e sua mãe: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o nosso povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? Disse, porém, Sansão a seu pai: Toma esta para mim, porque ela muito me agrada” (Jz 14. 3);

                  Não há objetivo a longo prazo. O amor romântico não olha para o futuro. Sansão é um exemplo de pessoa que teve vários relacionamentos fugazes, que vieram a destruí-lo. Esse tipo de “amor” não é apenas cego. É surdo, mudo e burro.

                  Todo envolvimento sentimental e/ou físico provoca uma ligação de corações, que, quando rompido, traz dano às nossas emoções. É como tentar descolar duas folhas de papel: sempre ficarão marcas desses relacionamentos. A alma então, para se proteger, procura outro relacionamento, e assim, o problema vai se tornado cada vez maior. Resultado: após vários relacionamentos afetivos não teremos mais o coração inteiro para oferecer ao cônjuge que Deus um dia nos dará. Amar é algo muito sério e nosso coração não é brinquedo. Muitos terão bloqueios na vida de casados provocados por pecados decorrentes de namoros anteriores. Podemos então dizer que o namoro não é preparação para o casamento, mas para o divórcio.

                  Nossos corpos não são nossos. São para o Senhor e o Senhor para eles.

                      “Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém aniquilará, tanto um como os outros. Mas o corpo não é para a prostituição, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo… Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque, como foi dito, os dois serão uma só carne. Mas, o que se une ao Senhor é um só espírito com ele. Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo” (1Co 6.13,16-20).

                      Além disso, estamos reservados para aqueles que serão nossos cônjuges:

                        “A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido; e também da mesma sorte o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher” (1 Co 7.4);

                        “Mulher virtuosa, quem a pode achar? Pois o seu valor muito excede ao de jóias preciosas. O coração do seu marido confia nela, e não lhe haverá falta de lucro. Ela lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida” ( Pv 31.10-12).

                        Os solteiros não estão disponíveis para qualquer um, mas reservados para aqueles que Deus trará. Temos que procurar estar puros não apenas sexualmente, mas também emocionalmente, para nossos futuros cônjuges. Se nos preservarmos, certamente estaremos nos preparando para um casamento sadio e abençoado. Se não formos fiéis nesse princípio de Deus poderemos colher sérias conseqüências.

                        O PADRÃO DE DEUS

                        O relacionamento de jovens cristãos, especialmente dos adolescentes, deve ser livre de interesses de namoro. Rapazes e moças devem procurar desenvolver uma grande amizade, com toda liberdade e pureza, como irmãos que, de fato, são:

                          “Não repreendas asperamente a um velho, mas admoesta-o como a um pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza” (1Tm 5.2).

                          Essa é a hora de se conhecerem bem e de se exercitarem na comunhão, no estudo da Palavra e no serviço da Casa de Deus.

                          “Pois quero que estejais livres de cuidado. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor” (1Co 7.32).

                          Os sentimentos que possam surgir entre eles devem ser guardados no coração para o momento certo. Em Co 13 vemos que o amor não busca seus próprios interesses, tudo crê, tudo espera.

                          “Conjuro-vos, ó filhos de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que ele o queira “ (Ct 3.5);

                          O aprofundamento do relacionamento sentimental entre um rapaz e uma moça deverá sempre ter em vista um compromisso de casamento. Sendo assim, somente deverá ser iniciado quando já se conhecerem bem e houver condições mínimas para que o casamento possa ser concretizado. É conveniente que esse período de comprometimento mútuo seja o mais breve possível, para evitar longo tempo de aproximação, e o conseqüente “abrasamento”:

                            “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se” (1Co 7.9).

                            O termo bíblico para esse relacionamento é “desposamento”, ou seja, compromisso de casamento:

                            “Ora, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria” (Lc 1.27).

                            Primeiro a comunhão espiritual; depois a comunhão intelectual, a emocional; a comunhão física apenas para depois do casamento;

                            Todo o processo deve estar em absoluto acordo com a orientação dos pais/mães, especialmente dos pais. O padrão bíblico sempre aponta a figura paterna como elemento chave no casamento de seus filhos. Eles devem participar de todo o processo. Os jovens cristãos devem compartilhar com seus pais até mesmo dos sentimentos preliminares que venham a surgir em seus corações.

                                Fonte: http://www.seguindoacristo.com.br/Adolescente/SexoeNamoro.pdf

                                Amor e Respeito

                                De acordo com o texto de Efésios 5.33 duas coisas são imprescindíveis no casamento: Amor e Respeito. Se a mulher se sente amada, fica fácil para ela respeitar o marido, e se o marido é respeitado pela esposa, fica fácil para ele amar a esposa. Temos então um ciclo de amor e respeito.

                                Em nossa sociedade não soa mal uma pessoa pedir para ser amada, mas em se tratando de pedir respeito a coisa muda de figura. É por isso que muitos maridos ficam tão frustrados no casamento – muitos deles se sentem desrespeitados pela esposa mas não se abrem, com receio de serem tachados de egoístas ou “machões”. Assim ele começa a ficar indiferente e sem amor para com a esposa, que reage com mais desrespeito. Temos aí uma roda girando que Emerson Eggerichs em seu livro cujo título é Amor e Respeito chama de Ciclo Insano (recomendo a leitura deste livro).

                                Casamentos onde as regras de amor e respeito são transgredidas correm risco constante de divórcio ou de violência. O problema é que muitos casais se degladiam sem saber ao certo por que estão brigando. Eles não veem que papéis estão sendo negligenciados, e que carências não estão sendo supridas. Mas quando o casal descobre suas necessidades individuais e toma  a decisão de honrar seu cônjuge, o casamento passa a ter brilho e alegria, com perspectivas imensas. A mulher precisa entender que respeito significa amor para o marido, só que escrito de maneira diferente. Mulheres precisam ser ouvidas, tratadas com carinho, precisam de atenção quando conversam. Maridos precisam ver em suas esposas apoio incondicional a eles; palavras de afirmação e reconhecimento fazem com que a maioria dos homens façam de tudo por suas esposas.

                                Mas se o amor ou o respeito forem unilaterais? Se o marido trata com amor sua esposa ela continua a desrespeitá-lo, ou vice-versa? Ainda assim é preciso obedecer ao mandamento do Senhor. Cabe a nós ser fiel à sua palavra e nos entregar aos seus cuidados.

                                Precisamos aprender a amar incondicionalmente, assim amor e respeito fluirão naturalmente. Se permitirmos que a vida de Cristo viva em nós poderemos viver este tipo de amor. Deus deseja que alcancemos isso.

                                Que estas palavras alegrem sua vida, e que você cresça cada vez mais no amor do Senhor.

                                Lorimar