A cruz e a libertação da mente

Existem poucas causas mais malignas de paralisia espiritual, por assim dizer, do que uma mente não renovada ou desprotegida. Aprendemos por experiências amargas, que o principal objetivo do adversário, e o meio mais importante para seus fins, é a mente. Noventa por cento dos problemas tanto dos filhos de Deus individualmente e no contexto da comunhão (ou comunhão bloqueada) do povo do Senhor, é derivada da operação de uma mente não renovada na qual há ainda carnalidade, ou da mente desprotegida se tornando o parque do “príncipe das potestades do ar”. Há três aspectos ou direções desta atividade mórbida – para com Deus, para com o homem, e para si próprio; ou para cima, para o exterior e para o interior.

Tomemos a segunda primeiramente.

A Paralisia de um Conceito Mental Duvidoso para como o Homem
Nesta esfera temos um catálogo inteiro de sintomas infelizes. Cristãos com um verdadeiro conhecimento de Deus e com um real caminhar com Deus tornando-se a presa de todo tipo de pensamentos sobre outros; juízos errados, preconceitos, criticas, imaginações, etc.

Plutarco falou de uma grande conflagração pública que foi resultante de uma fofoca gerada em uma roda de fumo em um sótão.

Quão verdadeiro é que uma sugestão ardente e inextinguível feita à mente, imediatamente envolve essa mente e muitas outras em um fogo de devastação espiritual de grande alcance. A atividade de nossa própria mente natural à parte da verdadeira revelação do Espírito Santo; a observação, sugestão, interpretação, relatório, descrição, informação de outros; a insinuação, complexão, perspectiva, apresentação de espíritos malignos em, através, ou além do acima; o “julgar segundo a vista dos olhos e a audição dos ouvidos” (algo que é dito que o Senhor nunca faria), o raciocínio da razão; como isto leva à aprisionamento, inflamação, desafeto, não só no membro em questão, mas – se conhecêssemos as leis do relacionamento espiritual – em todo o organismo espiritual.

Um micróbio deste tipo pode ser uma mentira em substância, ou, mesmo sendo verdade em substância, ainda assim pode estabelecer uma base errada de relacionamentos, ex: humano ao invés do Divino; “conhecendo segundo a carne ao invés de pelo o espírito”. Oh, se apenas o povo do Senhor obedecesse a injunção profundamente sábia “examinai todas as coisas!” Tal conceito que mencionamos será em breve alimentado pelo inimigo, e evidencias aparentes se acumularão de todos os cantos para justificá-la (?). Quando relacionamentos estão tão infectados, ação coordenada e funcionamento corporativo são impossíveis, e o objetivo do diabo é obtido.

A seguir, quanto à direção para com Deus.

A Paralisia de uma Mente em Questionamento
Este é peculiarmente o perigo de filhos de Deus severamente tentados, ou o perigo à espreita em momentos e lugares de adversidade. Uma dúvida quanto ao amor, a

sabedoria, o poder, a fidelidade de Deus. Poucos são os que passam por essas situações sem sequer a consciência deste espectro, e não muitos têm passado pelas profundas águas e fogos intensos sem um “por quê?” para com Deus, pelo menos em seus pensamentos. “Por que eu?” “Por que sempre eu?” A ruína da raça foi resultado de uma aceitação da insinuação de Satanás, que Deus afinal de contas, não estava realmente favorável ao maior bem estar do homem; que havia algo que Ele estava retendo, e a desconfiança em Deus tem sido sempre um golpe de mestre contra a lei primária da união com Deus – fé.

Quando esta semente de dúvida é plantada na mente e a ela é permitido permanecer, não se passa muito tempo antes que cada fase da vitalidade espiritual seja paralisada; oração, comunhão, a Palavra, ministério, serviço, testemunho; e Deus não pode fazer nada com aquele que duvida.

Logo mais,

A Paralisia de uma Contemplação Introspectiva
Existem muitas pessoas cujos olhos estão sempre se voltando para dentro; autoexame, auto-análise, autoavaliação. Elas estão sempre olhando a suas próprias línguas espirituais e tomando seus próprios pulsos espirituais; comparando se a si mesmas desfavoravelmente com outros conhecidos, e projetando suas próprias sensibilidades espirituais para serem machucadas. Que acusações e condenações o inimigo é capaz de direcionar e colocar sobre esses! Não é de se maravilhar que logo elas alimentem duvidas quanto à verdade da sua própria salvação e aceitação em Deus. Isto leva ao pesadelo de se ter cometido o pecado imperdoável. Oh, os perigos de um individualismo demasiadamente estrito na salvação!

É claro que esta morbidez introspectiva resulta muito rapidamente em paralisia, e alegria e paz são “frutos do Mar Morto” aqui.

O Caminho para a Libertação
Bem, tendo diagnosticado o caso, chegamos ao ponto do remédio.

1. Um reconhecimento básico.

Antes que possa haver qualquer esperança de uma cura, deve haver o claro, definido, deliberado, e conclusivo reconhecimento do FATO de que todo este problema origina-se e é perpetuado pelas “hostes de espíritos malignos nas regiões celestiais (inferior)”, “o príncipe das potestades do ar”, “o deus deste século” (Ef. 6:12, 2:2; 2Cor. 4:4).

Estas potestades das trevas estão sempre tentando conseguir um alojamento e obsessão na mente por um pensamento ou ideia, e assim colorir ou preencher o inteiro horizonte com ela. Eles insistirão e insistirão com a sugestão para manter a mente entretida com ela.

Não é de admirar que termos militares são usados pelo Espírito Santo nesta conexão. “As armas de nossa guerra não são carnais, mas poderosas em Deus para a destruição de fortalezas, destruindo imaginações e toda a altivez… e levantando cativo todo o pensamento à obediência”, 2 Cor. 10:4. “A palavra de Deus é… mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e

do espírito… e é apta para discernir os pensamentos… Heb 4:12. “A paz de Deus guarnecerá sua… mente”.

Portanto, no assunto da mente, uma intensa guerra é claramente revelada em ação, e forças defensivas, cativantes e aderentes são necessárias. A provisão de Deus não é para a proteção de nossa própria carne, para isso Ele requer que nos consideremos como mortos, mas contra o adversário. É também necessário termos em mente que as potestades do mal se interpõem entre nós e outros, e outros e nós, e estabelece falsas situações, distorce coisas ditas, interpreta mal qualquer coisa capaz de ser mal interpretada, e até mesmo criando ou sugerindo um senso de tensão e desafeição quando de fato isso não existe. O reconhecimento destes fatos, a medida que a vida espiritual e obra se intensificam (explicando por que o mais espiritual torna-se geralmente o mais profundamente envolvido), é básico para qualquer libertação.

2. A localização do problema.

Um passo a mais em direção à vitória é um rastreamento da localização do problema. Temos que nos assegurar da razão básica e da causa do mal. Afinal de contas, está esse motivo em nós mesmos? Acaso não há realmente e verdadeiramente uma revolta em nós contra isso? Será que nós temos interesses pessoais em vista? Há ambições, preocupações, direitos (?), competências pessoais secretas? Realmente nos importa se perdemos tudo se apenas Cristo entrar sozinho? Temos “aprendido tanto a ser humilhados como a ser honrados?”

Se pudermos dar uma clara reposta a Deus em tais assuntos, será que não chegaremos à conclusão que estes pensamentos e sentimentos que constantemente nos preocupam, são de nossa escolha ou consentimento? Seriamos gratificados ou magoados se nossos pensamentos sobre outros fossem provados verdadeiros? Isto é um bom teste.

3. Uma necessidade vital.

Ora, seja de fora ou de dentro, deve haver um instrumento e terreno EM nós como também fora de nós para a vitória. Estes são o espírito e a mente renovada. A mente natural e a mente carnal são o terreno de Satanás. Não precisamos aqui nos referir às Escrituras que se referem a isto; é suficiente dizer que o Espírito Santo reside dentro do espírito renovado de cada “nascido do Espírito”. Sua obra é fazer a Cruz de Cristo real e eficaz na vida do crente e. Mas Ele faz isto cooperativamente. Isto é, ele dá testemunho a favor da verdade e contra a mentira. Ele julga as coisas por nós, e enquanto andarmos segundo o espírito e não segundo a carne, seremos ligeiros em discernir o que o Espírito diz. Quando, portanto, Ele dá testemunho e registra Seu juízo, Ele nos chama em nosso espírito renovado para tomar Sua capacitação, e positivamente e deliberadamente levar a coisa julgada à Cruz e ao terreno da vitória do Calvário para recusa-la e repudia-la. Assim aprendemos a ser fortes no espírito à medida que atuamos em fé sobre a energização de Sua força, mas tudo permanece na Sua força e ela nunca se torna nossa de forma independente. Descobriremos que tal curso traz libertação, mas pode ser que o inimigo volte uma e outra vez com a coisa velha até que ele perceba que nós temos aprendido como “resistir” eficazmente, e assim ele mudará seu método. São o Corpo de Cristo e seu testemunho corporativo que estão envolvidos, e um devido reconhecimento disto será um motivo e dinâmica mais adequados para a nossa resistência do que uma preocupação meramente pessoal.

Fonte: http://www.austin-sparks.net/portugues/004499.html

Anúncios

Uma ideia sobre “A cruz e a libertação da mente

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s