É Possível Mudar o Curso de uma Nação?

Este artigo, extraído do livro “Holiness” (Santidade), publicado em 2003, foi escrito para os cristãos dos Estados Unidos. Como as verdades expostas aqui se aplicam para qualquer nação, nos trechos onde o autor se refere aos Estados Unidos, colocamos “Brasil” ou “mundo ocidental”.

Deus está chamando seu povo para se voltar a ele e ser um Caminho Santo (Is 35.8), por intermédio do qual ele possa chegar a este mundo perdido. Porém, se quisermos nos tornar um caminho santo, primeiro precisaremos compreender as implicações do pecado. E isso requer que vejamos o pecado da perspectiva de Deus. Precisamos edificar um relacionamento com Deus de tal forma que nossas vidas sejam um caminho para Deus alcançar toda a nação, trazendo um grande avivamento no meio do próprio povo do Senhor e um poderoso despertamento espiritual no coração de quem não o conhece.

 

Há uma profunda urgência no meu interior com relação a isso que tem pelo menos dois focos principais. Em primeiro lugar, se estou compreendendo as Escrituras corretamente, Deus promete julgar toda nação que deixar de seguir a direção dele. Pode bem ser que já estejamos sentindo os efeitos do princípio desse juízo divino.

 

Para encontrar os primeiros movimentos de afastamento de Deus por parte das igrejas e dos líderes nacionais, é necessário voltar para o princípio da década de 1960. É como se Deus tivesse removido sua cerca de proteção (veja Jó 1.10) das sociedades ocidentais a partir daquela época. Houve um princípio de licenciosidade desenfreada que veio aumentando de lá para cá. Parece não ter surgido nenhuma iniciativa capaz de impedir a crescente maré de injustiça na sociedade. As igrejas têm sentido os efeitos disso e, em certa medida, têm andado na mesma direção, afastando-se cada vez mais do Caminho Santo. Com o desmoronamento da cerca de proteção divina, estamos experimentando as consequências do nosso próprio pecado.

 

Há uma urgência nas Escrituras quando Deus diz: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14).

 

Essa tremenda passagem indica claramente que a redenção de uma nação depende do arrependimento do povo de Deus. A salvação da nação tem pouco a ver com os políticos na capital ou com os diretores de cinema ou dos canais de televisão – tem a ver com o povo de Deus!

 

Se o povo de Deus não discernir que o problema está com eles, então o Brasil (ou qualquer outra nação) terá poucas chances de avivamento ou sobrevivência. Por isso, compreendendo cada vez mais o que Deus está dizendo em sua Palavra, sinto uma profunda urgência de que estamos mais próximos ao iminente juízo de Deus na nossa nação do que estivemos no ano passado.

 

Avivamento e Oração

Você acredita que quando o povo de Deus ora Deus ouve, responde e efetua uma profunda transformação? Você está ajudando sua família e as pessoas na sua igreja a orarem em favor do estado espiritual da própria vida e da vida dos familiares, dos membros da igreja e de toda a nação?

 

Lembre que Deus disse: “Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele” (2 Cr 16.9). Ele também disse: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tg 5.16). Jesus disse: “E tudo quanto pedirdes em meu nome [em coerência com tudo que vos ensinei], isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” (Jo 14.13).

 

Com promessas como essas – que têm o poder de mudar o curso da história de uma nação –, o que você tem feito da oração em sua própria vida, em seu casamento, em sua família, igreja ou denominação?

 

Se um avivamento no Brasil dependesse da sua vida de oração, haveria um avivamento? Se você é obrigado a responder: “Se depender da minha oração, não”, então você precisa mudar sua vida de oração. Renovar sua vida de oração é uma simples questão de escolha pessoal. Sua vida é o produto de escolhas feitas por você, e sua igreja é o produto de escolhas feitas por ela. Sua reunião de oração é um espelho das escolhas feitas pela igreja. Sua nação reflete as escolhas feitas pelo povo de Deus em relação ao seu relacionamento coletivo com Deus.

 

É daí que vem a urgência de uma mensagem como esta. Creio que há muito em jogo aqui. Na realidade, o que está em jogo é a eternidade para muitas pessoas nesta nação. Mas só na sua igreja há pessoas suficientes – se estiverem sérias com Deus – para mudar o curso da nação.

 

No cenáculo, havia apenas 120 pessoas, mas estavam totalmente rendidas a Jesus Cristo (At 1.15). Deus usou esse pequeno grupo para transtornar todo o Império Romano (At 17.6). Em 1904, Deus usou um jovem do País de Gales, chamado Evan Roberts. Deus o quebrantou e sacudiu durante um período de oração – juntamente com várias outras pessoas que estavam orando em outras partes do país – e o resultado foi que 100 mil pessoas nasceram de novo pela fé em Jesus Cristo, num espaço de apenas seis meses. Esse grande avivamento de 1904 começou com oração. Milhares de pessoas saíram para o campo missionário. Com apenas 26 anos, Roberts ficou intensamente focado em oração e avivamento – e isso produziu um grande movimento missionário.

 

O que Deus poderá fazer por meio de sua vida? Você percebe como o Brasil carece de um poderoso toque da mão de Deus? Você acredita que Deus poderia fazer algo por meio de sua vida, assim como já o fez com tantos outros instrumentos dele na história? Você estaria disposto a tomar o tipo de decisão que Deus requer para ser esse tipo de pessoa? Sua resposta ao ler este artigo será um reflexo das escolhas que já tem feito com relação ao seu Senhor.

 

A Urgência da Hora

Há uma segunda razão pela urgência de ser completamente rendido a Deus neste momento atual da história. Eu creio que podemos ser a geração que estará viva quando o Senhor Jesus voltar. Creio que Deus pode estar chamando agora a última geração de pessoas que irão com ele em missão até os confins da Terra.

 

Quase todos os líderes que tenho encontrado nos últimos anos – tanto pastores de igrejas locais, quanto líderes de grupos ministeriais ou de denominações – estão falando a mesma coisa: acreditam de todo o coração que podemos ser a geração que receberá o Senhor Jesus de volta para esta Terra.

 

Já que o Pai sabe o tempo, o dia e a hora em que dirá: “Basta, não haverá mais demora; meu Filho voltará nas nuvens, o juízo começará e a eternidade será inaugurada”, você não acha que ele pode estar gerando uma urgência no coração de seu povo nas igrejas? Ele sabe que a hora está avançada e que há pouco tempo para as pessoas responderem ao seu chamado.

 

Você acredita que ficaremos face a face com nosso Senhor para prestarmos contas a ele pela forma como temos conduzido nossa vida? Você não concorda que o Pai, sabendo a hora da Segunda Vinda, já pode ter dado a ordem ao Espírito Santo para levar seu povo a entender a urgência da hora de forma que, quando as pessoas ouvirem a Palavra de Deus, sintam uma urgência diferente no coração? Ele quer impactar-nos com a verdade de que investir a vida neste mundo que logo passará é muito menos importante do que investi-la no Reino que jamais passará.

 

Deus está despertando o coração de crianças, jovens, universitários e até adultos em meio de carreira, chamando-os para missões como nunca antes. Recentemente, o conselho de uma organização missionária recebeu mais de 9 mil consultas de pessoas interessadas em trabalhar para Jesus no exterior. Há poucos anos, somente na Convenção Batista do Sul, nos Estados Unidos, mais de 300 mil pessoas se candidataram para trabalhos voluntários em missões dentro e fora do país. É muito provável que em poucos anos esse número cresça para 500 mil pessoas, envolvidas em missões por toda parte, até os confins da Terra.

 

Tenho ouvido muitos testemunhos nos últimos anos dizendo mais ou menos isto: “De maneira surpreendente, Deus tocou meu coração e levou-me a participar de uma viagem missionária. Nunca sonhei que estaria numa missão em outra parte do mundo, mas algo tremendo aconteceu, e eu fui. Depois disso, nunca mais fui o mesmo.”

 

Esse levantamento de voluntários está acontecendo no meio do povo de Deus, por toda parte. Não creio que seja algo acidental. Creio que tem a marca da mão de Deus, e que está relacionado com a proximidade da volta de Cristo. Por causa desses tempos urgentes, precisamos estar diante de Deus e da sua Palavra e ver as coisas da perspectiva dele.

 

Da Cabeça para o Coração

Não é suficiente Deus falar com você pela Palavra, porque mesmo que você tivesse todo o conhecimento intelectual do mundo, isso não transformaria sua vida. Porém, a partir do momento em que aquilo que você conhece na cabeça atinge o coração, você não conseguirá descansar de dia ou de noite enquanto Deus não fizer a verdade tornar-se prática e real.

 

Já ouvi muitas pessoas dizerem: “Eu creio que Jesus é o Filho de Deus. Creio que ele é o Salvador dos homens”. Toda a verdade que temos na nossa cabeça é também acreditada pelos demônios no inferno; mesmo assim, eles estão um passo à nossa frente. Pelo menos, eles tremem diante daquilo que sabem. Eles sabem que Jesus morreu pelos pecados do mundo; sabem que ele era o imaculado Filho de Deus e que foi ressuscitado dos mortos. Sabem que o poder que levantou Jesus da morte foi dado a cada pessoa que crê. Sabem que ele está intercedendo por nós e que em breve voltará.

 

Eles acreditam em cada uma dessas verdades que temos na cabeça – e ainda tremem diante delas! A diferença entre os demônios e nós acontece quando tiramos as verdades da cabeça e deixamo-las atingir o coração. Aí não conseguimos descansar noite ou dia enquanto aquilo que nos foi revelado na Palavra não começa a ser experimentado na vida.

 

Há um texto em 2 Coríntios que tem causado um impacto incrível na minha vida este ano. Diz o seguinte: “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio” (2 Co 1.20). No momento em que você se uniu a Jesus por meio da obra redentora de Deus na morte do Filho na cruz, cada promessa que Deus já fez na Bíblia tornou-se “sim” para você. Provavelmente, você leitor já saiba disso na cabeça, mas quero lhe dizer como saber se essa verdade já atingiu o coração. Saber no coração que o texto acima é verdadeiro deveria levar você a buscar intensamente toda promessa que Deus já deu em sua Palavra, a fim de poder experimentá-la na prática e conhecer a realidade contida nela.

 

Se essa verdade estiver somente na cabeça, não mudará coisa alguma em sua vida. Mas quando você ouvir as palavras benditas do nosso Senhor: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (Jo 14.12), e essa verdade atingir seu coração, sua vida nunca mais será a mesma.

 

Você pode imaginar como o curso de seu país mudaria se tão-somente acreditássemos nessa única promessa de todo o coração? E, além dela, temos centenas de outras promessas na Palavra de Deus. Você tem permitido que aquilo que ouve na cabeça desça trinta centímetros para o coração e comece a mudar sua maneira de viver?

 

Você e eu temos o maior potencial do mundo de fazer uma diferença, porque Deus nos tem dado suas promessas. Ele disse que agiria diante da nossa resposta: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros” (Tg 4.8). Por que, então, não nos aproximamos de Deus, continuando firmes nessa direção até que Deus, de fato, chegue-se a nós, transformando tudo em nós e à nossa volta pela sua presença?

 

Você não consegue ficar na presença de Deus e continuar igual. Seria simplesmente impossível. Este texto, “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros”, é simples mas profundo.

 

Você está pegando as promessas de Deus e tomando uma posição de buscá-lo até que a vida dele se manifeste em você exatamente conforme prometeu? A tragédia é que muitos filhos de Deus sabem que estão vivendo exatamente como vivem as pessoas no mundo – e não ficam incomodados! Você sabia que incomoda Deus profundamente o fato de vivermos do nosso jeito e não do jeito dele? Para alguém que faz parte do povo de Deus, seguir o próprio caminho é pecado.

 

A Escritura diz: “… e tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14.23). Esclarece ainda mais: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando” (Tg 4.17). Em outro lugar: “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei” (1 Jo 3.4). Uma das leis é esta: “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6.2). Ver seu irmão com uma carga pesada e não ajudá-lo a carregá-la – isso é pecado e entristece o coração de Deus.

 

Não há nada que pesa mais no coração de Deus, conforme o que vejo nas Escrituras, do que o pecado no coração e na vida do povo dele. Por isso, creio que precisamos ver o pecado da perspectiva de Deus – e não da nossa. Como Deus vê o pecado? De acordo com a Bíblia, é não atingir a exigência de Deus. Isso é pecado.

 

“Ah”, você pode responder, “eu sou apenas humano.” Não, você não é; você é habitado pelo Deus Todo-poderoso, se é que nasceu de novo! Antes, você era um mero humano, mas agora é um filho do Rei dos reis, um templo de Deus, e sua vida não lhe pertence. Agora, é Cristo que vive em você.

 

Não foi isso que Paulo afirmou? “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.19,20). Não era apenas linguagem figurada, era um fato. Porém, de acordo com o meu entendimento, saber disso e resistir a Deus é pecado.

 

De acordo com a definição de 1 João 3.4, “pecado é a transgressão da lei” (ou rebeldia). Rebeldia é quando sabemos o que Deus diz e escolhemos não obedecer. Eu costumo dizer que as duas palavras que não combinam são não e Senhor. Uma das duas precisa ser eliminada. Se ele é Senhor, não há possibilidade de responder não. Você não pode chamá-lo Senhor sem dizer sim para ele. Deus está procurando filhos que respondam sempre “sim, Senhor”.

 

por Henry Blackaby

 

Fonte: http://www.oarautodasuavinda.com.br/?modulo=materia&id=262

 

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