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por John Piper
Acho que precisamos focalizar na graça do tempo de Deus. Quando temos uma necessidade, nos sentimos bastante inquietos a respeito de quando Deus satisfará tal necessidade. Queremos que Ele o faça agora! Não é natural pensarmos que a graça de Deus será mostrada tanto em seu tempo como em sua forma. Mas Hebreus 4.16 lembra-nos a buscarmos a Deus não somente quanto ao tipo de graça de que necessitamos, mas também quanto ao tempo dessa graça.
Isto pode mudar nossa atitude na oração. O tempo de Deus é freqüentemente estranho, e isso não deveria surpreender-nos, visto que, “para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pe 3.8). Deus pode compactar mil anos de impacto em um dia e levar mil anos para fazer a obra de um dia. No primeiro caso, Ele não fica sobrecarregado, e, no segundo, não se mostra apressado. Como disse o apóstolo Pedro: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada” (2 Pe 3.9).
Portanto, não nos surpreendamos com o fato de que “ajudar em tempo apropriado” seja na perspectiva de Deus algo diferente do que o é na nossa perspectiva, mas a dEle é sempre melhor. É sempre graça para nós. É uma graça que deve sempre receber nossa confiança pelo que ela é e pelo tempo em que nos será dada.
Eu preciso de ajuda. Sempre. Em tudo. Estou simplesmente enganando a mim mesmo, se penso que posso mover-me por alguns centímetros sem a ajuda de Deus. “Pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (At 17.25). Preciso da ajuda de Deus para o bem de minha fé, a qual é fraca. Preciso dela para estimular o meu zelo e para dar-me poder para evangelizar. Preciso desta ajuda para a adoração autêntica. Preciso dela para ter coragem no viver santo. Preciso da ajuda de Deus para a transformação de meus filhos adolescentes em jovens humildes, respeitáveis e centralizados em Deus. Preciso dela para que eu possa ministrar esperança, gozo e ousadia aos nossos missionários e para receber orientação quanto a planejar o futuro. Preciso da ajuda de Deus para milhares de outras exigências, ênfases e agradáveis possibilidades.
Gosto muito de pensar na soberania de Deus em administrar seu tempo. Por exemplo, Daniel afirmou que o Senhor “muda o tempo e as estações” (Dn 2.21). Isto significa que as épocas de bênçãos modestas ou imensas em nossa vida, nosso lar e nossa igreja estão nas mãos de Deus. Ele geralmente determina o tempo de nossas bênçãos, de modo que a sua sabedoria, e não a nossa, seja ressaltada. Deus está mais interessado na paciência da fé do que em nossa satisfação instantânea. O tempo de Deus pagará os seus dividendos, além do que podemos imaginar. Sempre é “graça para ajudar em tempo apropriado”. O tempo e o conteúdo da bênção são graciosos. A fé descansa nos aspectos e no momento da graça de Deus.
Por isso, este convite de Hebreus 4.16 é muito precioso para mim. Preciso de ajuda, mas, não a mereço. No entanto, Deus provê ajuda, porque seu trono é um trono de graça e ajuda imerecida. Em todas estas necessidades, o Senhor tem “graça para ajudar em tempo apropriado”. Nosso dever consiste em aproximar-nos dEle com ousadia, achar e receber essa ajuda do trono da graça. Temos razão para crer que Ele nos ouvirá e nos ajudará no tempo apropriado.
Portanto, cheguemos confiantemente junto ao trono da graça e recebamos o que Deus tem para nós — uma graça soberanamente designada e controlada quanto ao tempo para o nosso maior bem.
Extraído do livro: Uma Vida Voltada para Deus, de John Piper.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
Fonte: http://voltemosaoevangelho.blogspot.com/
“O qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai.” (Gl 1.4)
Cristo se entregou voluntariamente pelos nossos pecados e nos desarraigou deste mundo. Estamos agora livres do pecado e da atração deste mundo perverso; nossas raízes não estão mais aqui, mas no jardim de Deus, irrigadas pelo rio da graça do nosso Senhor. Infelizmente muitos resistem a essa mudança, preferindo viver no pecado, e esquecendo que este mundo é perverso e que Deus já o condenou. Qual de nós sabendo que uma casa está condenada ousaria comprá-la? É isso que muitos de nós fazem; sabemos que este mundo está com seus dias contados, mas assim mesmo temos dificuldades em deixá-lo.
Consideremos o sacrifício voluntário de Cristo, e não o negligenciemos, e peçamos a Deus que nos dê um coração cheio de gratidão, por tudo o que ele tem feito por nós.
Lorimar
Uma coisa eu sei: sou um grande pecador, e Cristo, um grande Salvador.
Conhecendo e andando na graça de Deus somos encorajados a caminhar. Que sua graça em nós não seja vã (1Co 15.10).
A música cujo título é “Amazing Grace” foi composta por John Newton (1725-1807), um mercador de escravos, prestes a perecer em uma violenta tempestade no mar. Ele era um homem atroz, mas ali clamou a Deus por sua salvação, e milagrosamente foi salvo. Ali ele teve um encontro com a assombrosa graça de Deus. Tempos depois ele abandonou o comércio de escravos, e passou a servir a Deus. Durante 43 anos ele pastoreou duas congregações, em Olney (15 anos) e Londres (28 anos).
Lorimar
Foi numa igreja em Munique, onde eu estava pregando em 1947, que, de repente, o vislumbrei: um homem calvo, troncudo vestindo um sobretudo cinza, com um chapéu de feltro marrom amassado entre as duas mãos. Num instante, estava enxergando o sobretudo e o chapéu marrom; no instante seguinte, o uniforme azul, o quepe estampado com a caveira e as duas tíbias cruzadas, o rosto malicioso, lascivo, debochado.
Minhas lembranças do campo de concentração voltaram com rapidez e impacto: a sala enorme com as severas luminárias no teto, a pilha patética de vestidos e sapatos no centro, a vergonha de ter de passar nua diante desse homem. Pude ver o vulto frágil da minha irmã à minha frente, costelas quase furando o fino pergaminho da sua pele.
Betsie e eu havíamos sido presas por termos escondido judeus na nossa casa por ocasião da ocupação nazista da Holanda, durante a Segunda Guerra. Esse homem fora um dos guardas no campo de concentração em Ravensbruck, para onde fomos enviadas.
Agora, ele estava diante de mim, mão estendida: “Que bela mensagem, fräulein! Que bom saber, como disse, que nossos pecados estão todos no fundo do mar!”
Pela primeira vez, desde minha soltura, eu estava frente a frente com um dos meus algozes, e meu sangue parecia ter congelado.
“Você mencionou Ravensbruck na sua palestra”, ele dizia. “Fui guarda lá. Mas depois disso”, continuou, “tornei-me cristão. Eu sei que Deus me perdoou pelas coisas cruéis que cometi lá, mas eu gostaria de ouvi-lo da sua boca também. Fräulein”, com a mão estendida outra vez, “você me perdoa?”
Fiquei ali paralisada. Eu não podia fazer isso. Minha irmã Betsie morrera naquele lugar; será que ele podia apagar sua morte terrível e prolongada, simplesmente porque pedia perdão?
Eu achava que já perdoara a todos; pregava sobre isso por toda parte. Eu, o exemplo de perdão, não conseguia perdoar quando encarava meu ofensor em carne e osso.
Não podem ter passado mais do que alguns segundos, ele em pé com a mão estendida – mas para mim parecia uma batalha de horas, enquanto eu enfrentava a coisa mais difícil que tive de fazer em toda minha vida.
Eu não tinha opção – eu sabia disso. A mensagem do perdão de Deus possui um pré-requisito: que perdoemos a todos que nos feriram. “Se não perdoardes aos homens”, afirmou Jesus, “tão pouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6.15).
Ainda assim, lá estava eu com o coração dominado por frieza. Entretanto, perdoar é um ato da vontade, e a vontade pode funcionar indiferentemente da temperatura do coração. “Jesus, ajuda-me”, supliquei silenciosamente. “Eu posso levantar minha mão. Pelo menos isso, posso fazer. Dá-me o sentimento depois.”
Então, sentindo-me um robô, coloquei minha mão mecanicamente na mão que me estava estendida. E, enquanto o fiz, algo incrível aconteceu. Uma corrente começou no meu ombro, correu pelo meu braço e saltou para nossas mãos unidas. Em seguida, esse calor restaurador parecia inundar todo o meu ser, trazendo lágrimas aos meus olhos.
“Eu te perdôo, irmão”, exclamei, “com todo o meu coração!”
Por um longo instante, seguramos a mão um do outro, o ex-guarda e a ex-prisioneira. Posso dizer que nunca experimentei o amor de Deus de forma tão intensa como naquele momento.
Testemunho publicado originalmente na revista “Guideposts”, 1972. A história de Corrie ten Boom foi relatada no famoso livro (e filme) “Refúgio Secreto”, de John e Elizabeth Sherrill, Editora Betânia.
